GASTRONOMIA - Caldeirão de influências
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de setembro de 2002
Célia Musilli<br> Reportagem Local 
O centro-oeste do Brasil talvez seja a região que mais mistura influências na gastronomia. O território, que foi desbravado pelos bandeirantes paulistas, também abraça a culinária do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais e dos países vizinhos, como a Bolívia e o Paraguai.
Nos restaurantes mato-grossenses o peixe impera, naturalmente, pela abundância dos rios da região. Curimbatás, pintados, piracanjubas e piraputangas são servidos de vários modos. O peixe na telha, por exemplo, tem origem em Portugal e no Brasil ganha temperos extras com o sabor especialíssimo das pimentas, do coentro e outros condimentos que fazem a delícia das receitas.
Grandes pintados ou dourados assados também têm lugar à mesa para serem comidos com arroz branco e saladas frescas - numa versão ligth - ou com farofas consistentes que também servem de recheio. Invariavelmente, as bananas acompanham os pratos e ficam uma delícia fritinhas, assim como as mandiocas. Também saem da floresta iguarias como o pequi e a guabiroba. O famoso ''arroz de pequi'' às vezes é preparado no cerrado aos pés da árvore que o produz, ela exibe porte médio e dá flores lindas de um amarelo claro que podem ser vistas de longe. Já a guabiroba é um palmito acizentado usado no famoso empadão goiano.
Pastéis de frango assados no forno, chamados saltenhas, são uma influência gastronômica da Bolívia, assim como do Paraguai vem as chipas - espécie de biscoito no formato de ferradura - e a sopa que não tem nada a ver com os caldos que conhecemos, pois trata-se de um bolo salgado com variação de nome.
Mas quem não vive sem carne certamente vai apreciar os churrascos que não ficam devendo nada aos do Rio Grande do Sul. Olhando o país, de ponta a ponta, o que se vê é um encontro de culturas que oferece variedade aonde quer que se vá, com influências migrando de um estado a outro para formar o grande mosaico da cozinha nacional. É de dar inveja a muitos países com seus pratos insossos que não passam do trivial peixe ou carne com batatas preparados sem grande imaginação.
Caribéu
(receita do Mato Grosso)
1 quilo de carne-seca lavada e cortada em cubos
4 colheres de sopa de óleo
2 cebolas médias picadas
2 dentes de alho amassados
700 gramas de mandioca cortada em cubos
2 tomates médios, sem sementes, picados
2 pimentões verdes e 2 vermelhos picados
Sal e pimenta-de-cheiro picada a gosto
1 xícara de cebolinha verde picada
Modo de Fazer
Deixe a carne seca de molho por 24 horas, trocando a água pelo menos 3 vezes durante este período. Coloque a carne seca numa panela, cubra com água, leve ao fogo alto e deixe ferver. Tire do fogo e escorra. Aqueça o óleo em fogo alto, junte a cebola e o alho até dourar. Acrescente a carne seca e frite bem. Regue com duas xícaras de água quente e cozinhe até a carne ficar macia.
Junte a mandioca, os tomates, os pimentões e a pimenta-de-cheiro, misture bem, cubra com água e acrescente sal se achar necessário. Tampe a panela, reduza o fogo e cozinhe por cerca de 20 minutos ou até a mandioca ficar macia, juntando mais água quente se necessário. Acrescente a cebolinha picada, misture e tire do fogo. O prato está pronto para servir.


