A boa digestão pode começar pelos olhos. Vendo um prato bonito nossos sentidos entram em ação e começamos a sentir água na boca e o desejo irresistível de comer. Talvez por isso, em quase todas as culturas a apresentação dos pratos tenha tanta importância a ponto dos bufes roubarem a cena, sendo considerados um capítulo à parte em qualquer festa. Com a aproximação do Natal, a tendência é valorizar aquilo que esquecemos nos outros dias do ano. Nesta data, as mesas sempre ganham toques a mais com louças, talheres, toalhas e...pratos decorados.
Considerada uma arte, a decoração dos pratos dá acabamento final à comida bem feita e não dá para esquecer que um prato colorido de salada pode causar o efeito de uma ''tela'' comestível se os legumes estiverem arranjados com gosto. Saborear uma ''obra de arte'' é um prazer indescritível, a impressão é que se dá mais valor a cada pedacinho de alimento que se desmancha na boca, porque se trata de beleza roubada.
A comida japonesa está entre as mais bonitas e caprichadas do mundo. Esse povo é mestre em picar legumes com a mesma dedicação com que compõe uma música, fazendo da mesa uma encenação da sua própria cultura, delicada e cheia de significados. Nos tradicionais restaurantes japoneses, chego a ter dó de desmontar o ''barco'' de peixes, as flores de legumes ou simplesmente mordiscar o sushi com aquela casca escura de alga contrastando com o branquinho do arroz numa simulação yin/yang. Tudo é harmonioso quando a vida é vista através da beleza e atos tão corriqueiros do cotidiano, como comer, podem ter gosto de celebração. Por isso, quando for a cozinha preparar seus pratos, lembre-se de separar um pouco dos ingredientes para dar o toque final ao que vai levar à mesa. Um simples ramo de salsa ou cerejas vermelhas para alegrar um assado causam um efeito tão importante quanto o cheiro maravilhoso que se desprende antes que a atitude de comer - em si mesmo um ato de prazer profundo - revele que tudo o que é bonito e gostoso nos aproxima da tal felicidade.

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