Os corações aquecidos contrastavam com a manhã fria e bonita da cidade de Munique; em clima festivo, alguns servos reais saudavam, das sacadas do belo castelo de Nymphenburg, os milhares de convidados que chegavam - advindos de todas as regiões da Bavária e até de além das fronteiras germânicas - para celebrar o grande evento do dia. Dentro das luxuosas paredes do palácio, as últimas preparações estavam sendo feitas para o casamento do príncipe Ludwig, que depois se transformaria no Rei Ludwig I; aquele 12 de outubro de 1810 foi o dia mais feliz da vida da princesa Teresa de Saxe-Hildburghausen.
Para marcar o evento histórico, a família real promoveu um grandioso evento, onde a Guarda Nacional convidou toda a população do reinado para cinco dias de festividades - bebidas, comidas e corrida de cavalos - os súditos, felizes, brindavam pelas ruas à saúde e longevidade dos recém-casados. Quando a semana chegou ao fim, Teresa fez um pedido ao seu amado: que repetisse um evento como este todos os anos, para comemorar o aniversário de casamento. O príncipe apaixonado aceitou, e assim nasceu a Oktoberfest.
A união real foi imortalizada como uma das mais importantes festas alemãs do mundo, e a Oktober serve até hoje para traduzir o espírito e os sabores da Alemanha para todos os povos e regiões. (ver box) ''Eu não sou alemã, mas cresci no meio deles. Quando eu era pequena, meus amigos eram todos alemães e suíços'', relembra a cozinheira Ada Reis, que há 22 anos realiza as receitas de pratos tradicionais dentro da famosa versão da Oktoberfest em Rolândia. ''Eu comecei ajudando na cozinha e depois fui aprendendo, pegando o jeito, e me aperfeiçoando com o tempo'', declara Ada, com um sorriso.
Todo o sabor forte e delicioso da tradicional gastronomia alemã está presente no Eisbein, o joelho de porco temperado, que é destacado pela sua carne macia e suculenta. Com uma porção generosa e acompanhado de chucrute, purê de batatas e salsicha bock, a refeição é perfeita para ser saboreada com a forte mostarda escura, servida junto com o prato. ''É o carro-chefe da cozinha, e as pessoas vêm de todos os lugares para provar o Eisbein. É delicioso.'', completa.
''O evento todo é muito bom, é tudo muito gostoso. É uma época que você sente falta quando acaba'', declara a confeiteira Célia Alves Thamm, casada com descendente de alemães e que trabalha na organização da Oktoberfest de Rolândia desde a sua primeira edição, em 1988. ''Eu adoro este espírito da festa. Antigamente, eu chorava no último dia, de verdade'', relembra, rindo. Uma das especialidades do café colonial de Célia é o delicioso Apfelstrudel, uma especiaria de maçã muito apreciada em toda a região da Alemanha.
Com uma massa crocante recheada pelos doces sabores da maçã e das uvas passas, a delícia germânica ainda é servida quentinha, acompanhada de um irresistível chantilly que derrete na boca. ''Este ano o movimento está muito bom, e espero que melhore ainda mais. Todo mundo precisa experimentar!'', convida a confeiteira.
Serviço - A Oktoberfest 2011 acontece até este domingo (16), na Vila Germânica, Complexo Esportivo Emílio Gomes, em Rolândia. Hoje será servido apenas jantar. Amanhã e domingo o evento abre a partir das 11 horas. Mais informações sobre a programação do Festival através do site www.oktoberfestderolandia.com.br

Imagem ilustrativa da imagem GASTRONOMIA - Banquete alemão



Oktoberfatos

A Oktoberfest de Munique é a original e ainda a maior do mundo: cerca de seis milhões de visitantes participam anualmente do evento na cidade alemã.

Em 1997, o Festival de Munique bateu recordes históricos; foram consumidos mais de 5 milhões de litros de cerveja, 45 mil litros de vinho e 165 mil litros de bebidas não-alcóolicas.

A festa começou a se popularizar para além das fronteiras do país junto com a migração dos alemães pelo mundo. Hoje, existem edições da Oktoberfest nos Estados Unidos, Argentina, Itália, Brasil, Hong Kong e Vietnã.

No Brasil, a festa começou a ser realizada na década de 1980, e se tornou o evento mais popular de algumas cidades brasileiras, entre elas a catarinense Blumenau (1984), as gaúchas Santa Cruz do Sul (1985) e Igrejinha (1988), e a nossa vizinha, Rolândia (1988).

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