No friozinho do inverno, começam a pipocar aqui e lá as famosas festas juninas. Apesar de todos os atrativos, como as quadrilhas, a fogueira, o correio elegante e as brincadeiras, difícil é resistir aos quitutes típicos da festa. Bolo de milho, canjica, pé de moleque, pipoca, paçoca, quentão tomam conta das barraquinhas.
Mas, para quem não quer esperar pintar um convite para uma quermesse ou aparecer de bicão na apresentação de quadrilha da escola do filho do vizinho, é muito fácil entrar no espírito junino transformando a cozinha em uma fábrica de ''gostosuras''. Basta ter a receita, o apetite e colocar a mão na massa.
Comida de festa junina é o que não falta no livro de receitas da vovó. Isso porque os quitutes juninos são aquelas receitinhas rápidas, práticas e baratas que toda avó brasileira precisa saber para receber os netos em casa aos domingos.
Como receitas culinárias são uma herança valiosa passada de geração para geração, hoje, a proprietária e cozinheira do restaurante Requinte Mineiro, Luzia Campos Cavalin sabe fazer aquele bolo de milho, molhadinho e macio, até de olhos fechados.
''Bolo de milho não tem segredo. Vem lá das raízes da mãe e da avó'', afirma. ''É a receita original. É fazer que dá certo'', garante ainda. Quem quer impressionar a visita ou os colegas de quermesse também pode acrescentar à receita queijo curado ou côco ralado, ela aconselha.
Outra maneira de impressionar é fazer o pé de moleque com rapadura, considerada a receita tradicional mineira, segundo Luiza. É só derreter uma barra de rapadura, acrescentar o amendoim torrado e fazer arte despejando o conteúdo na bandeja.
Já a canjica pode receber uma incrementada e ainda continuar com aquele saborzinho de comida simples. Quem dá a receita é a cozinheira Sandra Shiroma que, para ficar bem cremosa, acrescenta creme de leite à canjica. ''Assim, a canjica não seca e fica com um caldo bem grosso'', ela descreve.
O aroma quente do vinho com o gengibre é a cara da Festa Junina, mas o quentão não precisa ser restrito apenas a estas ocasiões. Toda noite fria pode ser um convite para saborear a bebida entre amigos, que pode ser feita na hora. ''Em festas juninas, a gente deixa em fogo baixinho para manter aquecido'', sugere a cozinheira.
A maçã ou o abacaxi dão um toque especial à receita de Sandra, que lembra ter sido solicitada para preparar a bebida até em noite de sukiyaki (prato oriental quente com legumes, macarrão e carne). ''Já eram três horas da manhã e o povo ainda estava tomando quentão!''

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