Da Redação
‘‘Nós, mulheres, somos assim mesmo. Se temos um limão, logo fazemos uma limonada e damos de beber para todo mundo. Se temos farinha, logo amassamos o pão. E se não temos farinha, tratamos logo de dar um jeito de plantar trigo. E assim por diante...’’ A frase da dona de casa Mariana Jesus Sabino, de 72 anos, revela muito mais nas entrelinhas. ‘‘Isso, da mulher ser responsável pela nutrição do mundo, não me espanta nada, nada.’’
Depoimentos como o de dona Mariana, moradora da cidade de Londrina, são a marca da revista ‘‘Retratos – As Diversas Faces da Mulher na Produção Alimentar’’, lançada na cidade em 16 de outubro – Dia Mundial da Alimentação. O projeto, com pesquisa, texto e fotografia da jornalista Maranúbia Barbosa, foi produzido pela Secretaria Especial da Mulher.
O intuito era apresentar um retrato do cotidiano das mulheres londrinenses no que se refere à produção alimentar. ‘‘A mulher tem um papel muito importante nessa área, entretanto, não existem registros. Mas indicativos e projeções apontam que a mulher é responsável por 50% da produção alimentar do mundo’’, ressalta a Secretária da Mulher, Dora Barnabé.
A idéia de desenvolver essa pesquisa nasceu no ano passado, quando a Agência das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura lançou uma proposta mundial com o lema ‘‘As Mulheres Nutrem o Mundo’’.
Durante três meses, Maranúbia Barbosa pesquisou dados, referências e, de conversa em conversa, garimpou histórias de vida de mais de 20 mulheres que moram em Londrina e na região. Pioneiras, pesquisadoras, produtoras da área rural e urbana, comerciantes e donas de casa. ‘‘Busquei saber dos projetos e sonhos de cada uma delas’’, conta Maranúbia. ‘‘A mulher realmente tem uma participação fundamental na produção alimentar, entretanto, carece de reconhecimento.’’
‘‘Retratos – As Diversas Faces da Mulher na Produção Alimentar’’. Tiragem: dois mil exemplares. Informações e distribuição gratuita: (43) 372-4174.


MOLHO - Maria de Los Angeles
Não pise no tomate
Arquivo FolhaOs tomates foram levados do Peru para a Europa, quando descobriram a América. No início como planta ornamental, enfeitando salões florentinos e franceses. Mas quando a fome bateu, Eureka! Seus frutos eram deliciosos, mesmo crus, e começaram os experimentos que continuam até hoje. Não é difícil imaginar um esfomeado e decadente nobre veneziano cozinhando os tomates do seu lindo vaso e descobrindo um delicioso e suculento molho, que casa bem com qualquer tipo de carne, batata, pão. A Dona Fome é uma grande cozinheira.
Tempero e alimento, não saberíamos cozinhar sem ele. O ‘‘sofrito’’ espanhol designa refogado de tomate e cebola que é a base para muitos pratos. Rico em vitamina C, seu suco, doce ou salgado, refresca e alimenta.
Mesmo sendo uma fruta, como já rebatiam as professoras do primário, não se tiram suas sementes. Quanto à casca, não faço nem salada sem tirá-la. Normalmente, como as pragas também gostam muito dele, quanto mais bonito o tomate, mais pisaram no inseticida.
Para molhos e tomates secos, os ideais são os da feira. Encontre um simpático sitiante que venda os tomates que produz em sua horta. São miúdos, redondos e mesmo com um ou outro buraquinho, não esqueça que o bicho do tomate é tomate. Compre quilos e faça conservas, molhos, sucos, pão italiano com rodelinhas em cima e orégano.
Condenado pela macrobiótica como sendo muito Yin (ácido), foi perseguido também como culpado por dar cálculos renais e, claro, coisa tão gostosa só pode engordar!
É desnecessário pisar no tomate, mesmo assim ele é pisado por quem:
- Não gosta de bacalhau com tomate.
- Só gosta de pessoas que gostam de tomate.
- Acha vermelho uma cor berrante e inferior.
E para os amantes dessa fruta, uma curiosidade, um bolo doce que se faz com ele e que fica lindamente rosado

Bolo de tomate
3 colheres de manteiga ou óleo
1 xícara de açúcar (que pode ser mascavo ou mel)
1 colher (chá) de fermento em pó
1 colher de chá de canela
1 colher de chá de outras especiarias (cravo, anis, etc...)
1 lata ou pacote ‘‘longa vida’’ de molho de tomate
2 xícara de faringa de trigo (que pode ser integral)
1 xícara e meia de passas, nozes, o que quiser
Modo de fazer
Faça um creme da manteiga, adicione açúcar e misture bem. Adicione o fermento ao molho de tomate, mexendo bastante e junte tudo com a farinha e os outros ingredientes. Mexa bem e asse numa forma a 160 graus. (Receita adaptada do livro de M.K. Fisher).

mockup