GASTRONOMIA - A delícia dos pampas
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quinta-feira, 28 de julho de 2011
Rafael Ceribelli <br> Reportagem Local 
A noite estava caindo, e as estrelas começavam a surgir no céu daquela paisagem desolada; no meio de uma planície verdejante que se estendia quase infinitamente, seis cavaleiros cavalgavam, lado a lado, carregando consigo os pedaços de um boi recém-abatido. Não existem pousadas ou postos de gasolina pelo caminho. Estamos no século XVII, e o único conforto para a fome e o frio na jornada dos tropeiros são as ervas de chimarrão e a carne do gado selvagem encontrado pela estrada, na imensa solidão dos Pampas Gaúchos. ''A história mostra que esses viajantes tinham o costume de levar uma grelha de parrilla móvel, amarrada no cavalo. No fim da tarde, abatiam um carneiro ou um boi e se reúniam para comer'', ensina o empresário André Candia Nunes da Cunha, fascinado pela origem de uma das maiores tradições gastronômicas da culinária sulamericana, o bom e velho churrasco.
A praticidade transformou o churrasco na refeição principal dos viajantes naquela época. Com a destruição das Missões Jesuítas, em 1768, a região - que abrange a Argentina, o Uruguai e Rio Grande do Sul - ficou repleta de gado selvagem, e para um bom jantar só era preciso carregar uma faca afiada e preparar uma fogueira em um buraco no chão. Enquanto o churrasco feito pelos gaúchos ficou conhecido e apreciado por todo o Brasil, nossos 'hermanos' cultivaram uma tradição diferente na maneira de assar e de preparar a carne.
''Além de serem feitas em grelhas especiais (ver box), as carnes dos churrascos típicos de argentinos e uruguaios é com carne de Angus, uma raça bovina diferente da qual estamos acostumados'', aponta André, que já trabalhou como exportador de carne bovina, e há seis meses inaugurou em Londrina o restaurante CabaÀa Ganadera, especializado na tradição 'hermana' de churrasco. ''Uma das principais diferenças presentes no corte de Angus é o que chamamos de 'marmoreio''', explica o empresário/chef. ''Isso quer dizer que a gordura dela é encontrada em faixas brancas no meio da carne, ajudando a preservar o sabor e a maciez'', demonstra.
Seguindo à risca essa tradição, o Prime Rib servido pelo CabaÀa combina a maciez natural da peça com o gosto marcante de uma carne assada em brasa quente, conservando ao máximo sua suculência. Salgado e preparado com maestria, o corte revela um sabor que vai surpreender até aos frequentadores mais assíduos de churrascarias brasileiras.
Outro prato que é bastante tradicional em churrascos no Uruguai e na Argentina é o assado em tiras, qualificado como um 'primo rico' da nossa costelinha. ''As tiras tem bastante carne, são cortadas fininhas, e vão para o fogo cruas. Elas não são preparadas igual à costela brasileira, que precisa de horas para ficar pronta'', afirma André, apontando que as 'tiras argentinas' utilizam apenas uma parte muito nobre da carne. ''Para fazer as tiras, é aproveitado apenas 20% da costela do Angus. Para os argentinos e uruguaios, o assado de tiras tem o valor de uma picanha para nós, brasileiros'', compara.
Serviço - CabaÀa Ganadera (Rua Aminthas de Barros, nº 466)
Reservas e informações pelo telefone (43) 3341-2100.


