Não é à toa que a culinária e a cultura asiática despertam um certo fascínio nos ocidentais. Com algumas exceções, a maioria dos pratos é muito bem aceita por aqui. Um exemplo são os pratos à base de curry, cada vez mais comuns no Brasil. Mas, vendido nos supermercados como um tempero indiano em pó, o curry é muito mais do que uma especiaria.
A palavra curry vem do indiano e significa molho. Na Índia e em outros países da Ásia, ele é feito com várias especiarias, que são transformadas em pasta ou em uma mistura em pó. Apesar de pedirem vários ingredientes, são muito fáceis de se fazer: em geral, é só colocar os temperos no liquidificador e bater. Depois, basta escolher seu ingrediente preferido - frango, peixe, carne, legumes - e terminar o prato.
O alerta é para a quantidade de pimenta. Nós nem sempre estamos preparados para o alto nível de pimenta dos asiáticos, que a utilizam para abrir o apetite e até como forma de ajudar na conservação do alimento.
''O curry também é o nome de uma árvore indiana e é possível comprar a folha seca de curry em casas especializadas; lembra uma folha de louro, mas com um sabor difícil de explicar'', lembra a chef e restauranteur Ronise Silva Castro, do Varanda Bar e Restaurante, onde há 12 anos a comida asiática é destaque.
Ronise conta que o curry indiano ''Rogan Josh'' é um dos pratos mais pedidos da casa. Feito com pedaços de cordeiro marinados por 4 horas em coalhada fresca, refogado na própria gordura da carne em pasta de curry feito pela própria chef, o prato é muito saboroso, e é um bom representante da rica culinária indiana.
Segundo ela, os pratos indianos costumam ter um período de cozimento maior (enquanto nos da Tailândia os ingredientes são mais al dente) e usam mais especiarias na forma de pó. ''O nosso curry é fresco para preservar o aroma e o sabor das cerca de 30 especiarias que entram no preparo. Costumo tostar os grãos e sementes e uso um pilão para moer, até conseguir um pó bem fininho, no caso do curry indiano, que chamamos de garam masala'', explica.
No caso do garam masala, entram pimenta preta, cardamomo, anis estrelado, cravo-da-índia, páprica e açafrão da terra, entre outros temperos. E a pimenta é usada com moderação. ''Procuramos não carregar na pimenta porque o brasileiro, principalmente o pessoal do Sul, não está acostumado a comer uma comida muito apimentada.''
Encantada com a cultura tailandesa após viagem em que aproveitou para fazer cursos de gastronomia típica da região, ela conta que aprendeu a receita clássica de pasta de curry com nativos de uma aldeia no interior da Tailândia. ''Os pratos tailandeses são bem equilibrados e é possível perceber notas picante, ácida, salgada e doce, sendo que eles usam muito o açúcar de palma para dar esse toque adocicado'', revela.
Para aqueles que querem se aventurar pela culinária asiática, o Varanda vende a pasta de curry industrializada, além de chutneys, temperos tailandeses e molhos de ostra e de peixe.

Fascínio pela gastronomia thai
Outro chef que também prepara a sua própria pasta de curry é Eduardo Henriques Hatada, do recém-inaugurado Bangkok Garden Bar e Restaurante. A casa é especializada em culinária tailandesa, mas também tem no cardápio pratos de outros países asiáticos.
O curry vermelho utilizado em alguns pratos por Hatada leva cerca de dez especiarias, mais alho e cebola, em uma pasta consistente e aromática. Folhas frescas e secas de lima kaffir também fazem parte dos seus ingredientes preferidos na finalização dos pratos. ''É muito interessante como na culinária tailandesa eles aproveitam os ingredientes. Utilizam as folhas, as sementes, a raiz...'', cita.
A sua versão de ''Gaeng Phed Plaa'' (peixe ao curry vermelho) surpreende pela mistura de pedaços de tilápia com berinjela e leite de coco. O toque adocicado é por conta do açúcar cristal (menos doce que o refinado), e a pimenta dedo-de-moça não pode faltar. Se quiser, o cliente pode solicitar que o prato seja ainda mais apimentado.
O chef conta que a ideia de abrir um restaurante especializado surgiu já em sua primeira viagem à Tailândia (ele voltaria lá mais quatro vezes para fazer diversos cursos), quando ainda morava no Japão. De volta a Londrina, Hatada se formou em gastronomia e agora se dedica a difundir seu fascínio pela cultura e gastronomia thai ao público londrinense.

Serviço

- Bangkok Garden Bar e Restaurante - Rua Souza Naves, 861. Tel. (43) 3322-8828
- Varanda Bar e Restaurante - R. Espírito Santo, 1.725. Tel. (43) 3321-9707

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