Júlio de Souza/DivulgaçãoPrimeira turma do projeto ‘‘Dança Masculina’’: quebrando barreirasOs meninos de rua que fazem aula na Escola de Danças Clássicas do Teatro Guaíra, e chamaram a atenção da mídia nacional, preparam-se para sua primeira excursão. Eles serão as estrelas de um espetáculo que irá percorrer as cidades gaúchas de Panambi, Ijuí e Santo Ângelo, a convite do Movimento Pró-Arte, de Panambi (distante 400 quilômetros de Porto Alegre). A turnê estende-se de 2 a 6 de setembro.
Os jovens formam a primeira turma do projeto ‘‘Dança Masculina’’, criado pelo Centro Cultural Teatro Guaíra. A experiência de quebrar as barreiras do preconceito contra a dança não é tarefa fácil, nem acontece por passe de mágica. Ela, porém, vem dando resultados.
Emerson Bueno dos Santos, de 18 anos, garante que teve sua vida mudada no contato com a arte. ‘‘Agora tenho amizade com outras pessoas, com adultos que me incentivam muito’’. As portas também se abriram para Sidnei de Jesus Bida, de 14 anos, desde que começou a dançar.
‘‘Passei a me relacionar melhor com as pessoas. Agora recebo mais atenção’’, conta. São as mesmas que ‘‘antes se aproximavam de mim e me ignoravam’’, frisa o garoto. Ele já se decidiu: ‘‘Quero ser bailarino’’.
HomensO projeto ‘‘Dança Masculina’’ foi criado para atender a uma dificuldade existente no Ballet Teatro Guaíra - sobram mulheres e faltam homens na companhia. Constantino Viaro, diretor presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, confirma ter sido esse o objetivo. Buscar garotos pobres para se tornarem bolsistas da escola foi a maneira encontrada de dar oportunidade ‘‘a jovens menos afortunados’’.
Mas é claro que eles não entraram aprendendo dança clássica. O ingresso no mundo dos passos e dos movimentos está se dando com aulas de Elementos Ginásticos e Acrobacia, Condicionamento Físico, Técnica Masculina, Danças Folclóricas e Street Dance. O professor, Carlos Cavalcante, integra o corpo de baile do teatro.
O clássico chega aos rapazes através de fitas de vídeo. Eles também conversam com os bailarinos e frequentam os bastidores do teatro, para conhecer o outro lado dos espetáculos. Segundo Cavalcante, a distância que separava os alunos dos bailados clássicos começa a ser vencida.

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