Garoto espião e franquia 'serial'
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de julho de 2003
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 
Aos adultos que já andavam assumindo a síndrome de ''Esqueceram de Mim'', o exibidor está propondo duas alternativas: o horror serializado, e de pronto descartável, de uma das mais resistentes e duradouras franquias do gênero, e um lançamento brasileiro de alta qualidade (''O Homem que Copiava'') perdido e praticamente desperdiçado entre um foguetório de títulos. Por seu turno, o público adolescente recebe reforço através de uma aventura de espionagem de encomenda para a faixa etária.
''Agente Teen'' (veja a programação de cinema na página 2) é uma espécie de James Bond de calças quase curtas. Mas aos 15 anos, pelo menos na aparência, o garoto Cody Banks (Frankie Muniz) é um típico teen-ager: skatista, é aluno muito mais esforçado do que brilhante, vive às turras com a mãe e é sem jeito com as garotas. Por baixo dessa medíocre normalidade, no entanto, Cody é um produto da CIA, especialmente treinado, cheio de engenhocas tecnológicas e com uma chefe muito sexy. A missão da hora é aproximar-se de uma colega cujo pai (Martin Donovan, ator fetiche dos filmes independentes e aqui fazendo sua estréia num mega-orçamento) é um cientista que desenvolve exército de robôs que pode destruir o mundo. Problema adicional: Cody é fissurado na garota, e os segredos do assédio romântico a agência não o ensinou.
O filme, dirigido pelo dinamarquês Harald Zwant - nada pelo Dogma, tudo pelo burocrático manual hollywoodiano -, parece saído de um laboratório onde a fórmula ''Pequenos Espiões'' foi cuidadosamente estudada e logo após sugada. Há inúmeras diferenças entre os dois produtos, e ''Spy Kids'' sempre leva vantagem na comparação, ainda que os efeitos especiais de ''Agente Teen'' sejam mais elaborados. Outro fator de incômodo é que boa parte da violência encenada parece desconfortavelmente autêntica.
''Halloween: Ressurreição'' traz a franquia original de John Carpenter (aqui apenas assinando o roteiro) ao século 21, mais precisamente aos domínios da era computadorizada. Agora, a ''assombração'' Michael Myers anda promovendo matanças num webcast da Internet. Nada virtual, diga-se. Tudo muito Big Brother, reparem na abundância de webcâmeras.
O filme é uma variação hi-tech daquelas velhas noites de 1978, quando Carpenter assustou de verdade com um roteiro original e intrigante. Neste oitavo segmento, o psicopata serial Michael Myers, aparentemente decapitado por sua irmã Laurie (Jamie Lee Curtis) na sequela de número 7, está novamente abastecendo o IML - seu reaparecimento é dolorosamente explicando num prólogo que sacrifica a pobre Jamie Lee, menos tempo em cena do que sua mãe Janet Leigh em ''Psicose''). No único momento de verdadeiro horror é no final, quando se descobre que Myers não vai estar morto de morto de novo, tudo indicando que em algum momento de 2004 nossa brutalizada paciência será de novo visitada por este flagelo.
(C.E.L.J.)


