Garotas tentam projeção profissional
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sexta-feira, 24 de janeiro de 1997
Mário Moreira Agência Folha 
ReproduçãoValéria Valensa: a Globeleza fez escola e serve de exemplo para milhares de modelos
As candidatas a musas do Carnaval carioca rejeitam o rótulo de oportunistas, apesar de aproveitar a festa para expor seus dotes físicos e cavar bons convites. A maioria dessas moças, no entanto, mostra ter noção da importância que o período carnavalesco pode ter em suas vidas. O Carnaval é a minha grande oportunidade, diz a loura Marcela Milk, 18, que busca ser escolhida pelos telespectadores para o posto de garota das vinhetas de Carnaval da TV Manchete. Ela disputa a indicação com a morena Kelly Cristina, 22, e a negra Julie Alves, 21. Marcela é a atual Garota de Ipanema, título que conquistou após o último Carnaval. Mas o concurso não foi muito divulgado e não me abriu as portas para nenhum trabalho, disse. Acabei fazendo muitos desfiles de graça em 96. Agora decidi que 97 vai ser o meu ano, afirmou ela, acreditando que uma vitória no concurso da Manchete proporcionará vários convites de trabalho. Se for escolhida, Marcela aparecerá na tela sem roupa, com pintura sobre o corpo de 1,70 m e 56 kg. É vestida assim que ela desfilará como uma das três rainhas da bateria da Acadêmicos de Santa Cruz - as outras duas serão suas rivais no concurso da Manchete. Marcela estará também no abre-alas da Acadêmicos da Rocinha e em carros
alegóricos da Beija-Flor e da Grande Rio.
Menos famosaOutra que usa a palavra oportunidade é Cláudia Valenssa, 19, irmã de Valéria Valenssa. Este ano, ela vai estrear como rainha de bateria na pequena escola Vicente e na paulistana Mocidade Alegre, além de figurar num carro alegórico da Beija-Flor. Há pessoas que desfilam para aparecer, mas eu quero é me divertir, disse Cláudia. Pretendo trabalhar como modelo ou atriz, e não viver da imagem do Carnaval. A irmã mais famosa pensa diferente. O Carnaval significou o início de tudo na minha carreira e é tudo na minha vida agora. Eu vivo da imagem do Carnaval, disse Valéria, 25.
A bailarina Luciana Sargentelli, 26, que dá aulas de samba, não vê oportunismo nas meninas que tentam se destacar no Carnaval. Para a maioria das negras e mulatas, é a única chance de se valorizar e ter acesso às pessoas importantes. Luciana disse que está ajudando uma das candidatas a Garota do Carnaval a aperfeiçoar seu modo de sambar. Não basta só sambar com os pés, é preciso saber sambar com todo o corpo, disse.
Ela se celebrizou em 92, quando, saindo como destaque num carro alegórico da Estácio, terminou o desfile com os pés sangrando. Para mim, o Carnaval ajudou, sim. Mas, se eu não sambasse mesmo, até sangrar, não ficaria conhecida. As oportunistas não sobrevivem. É preciso ter talento.


