Garota tatuadora
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de março de 1997
Nelson Sato 
Mario CesarJuliana, que aprendeu sozinha as técnicas, tatua um de seus clientesApareceu uma luluzinha no Clube do Bolinha. Até então um reduto exclusivamente masculino, o meio da tatuagem de Londrina abriga agora uma garota em suas fileiras: Juliana de Carvalho Barbini, 19 anos.
A menina, que está há apenas três meses na atividade, começa a atrair a clientela na base do boca-a-boca. Até a semana passada, a primeira tatuadora a surgir na cidade havia feito dez tatoos - uma delas em sua própria perna, na canela. Foi difícil. Senti mais dor nas costas do que no local da aplicação, conta.
Seu interesse pela tatuagem vem do começo da adolescência, quando já rascunhava no papel esboços de motivos hindus, realistas e tribais que hoje constituem seu repertório de desenhos. Nessa época - lembra ela - eu tinha medo da máquina, porque as pessoas falavam que ela era pesada e que a mão da gente tremia.
Mario CesarTatoo aplicada em sua própria perna
Estúdio Mas se essa insegurança foi vencida, a reprovação dos familiares pelo seu trabalho continua sendo uma pedra no sapato. O pessoal ainda não aceitou totalmente a idéia, queixa-se. Como muitos colegas do ramo, Juliana aprendeu sozinha as técnicas utilizadas para a aplicação das tattoos.
Vi alguns profissionais trabalhando, mas ninguém me ensinou nada. Peguei na máquina com a cara e a coragem. Para se atualizar no meio, Juliana bate ponto todos os meses nas bancas atrás de revistas especializadas, além de acompanhar as reportagens e artigos publicados na imprensa sobre o assunto.
Foi assim que soube da existência de tatuadoras famosas do país como Cláudia Macá, de São Paulo, e Vânia Mendes, de Marília - ambas com mais de uma década na profissão. Como Macá, aliás, a londrinense adota uma postura personalizada no exercício da arte recusando-se a fazer tattoos em algumas regiões do corpo do cliente.
Mario CesarA arte de Juliana, uma de suas primeiras tatuagens
Não faço tatuagens no rosto, frisa ela. Também não inscrevo nomes de namorados(as), porque a pessoa pode se arrepender depois no caso da relação terminar. Apaixonada pelo que faz, Juliana pensa em encarar profissionalmente a atividade. Estou no segundo grau, mas quero prestar vestibular para educação artística e montar um estúdio.


