Garota de programa vive o que a TV não mostra
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sábado, 02 de setembro de 2006
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
Mirian, 34 anos, tinha o hábito de acompanhar os capítulos de ''Laços de Família''. Na época, sua ocupação eram os serviços domésticos prestados a terceiros, além de cuidar do marido e do filho. Um ano depois, o roteiro de sua vida muda completamente: das casas a serem arrumadas para a Avenida Leste-Oeste; das manhãs e tardes de faxina para as noites de sexo. De acordo com ela, as novelas, quando abordam a prostituição, ilustram uma parte social das garotas de programas. ''Geralmente as tramas mostram a imagem de uma garota de luxo que frequenta ambientes que nada tem a ver com trabalhar na rua, ou aqui na avenida. Podia até ser que a Capitu se expusesse a certos perigos, mas não aos perigos que a gente corre aqui, como assalto, violência, assassinatos quantos tantos já aconteceram'', diz.
Segundo ela, a novela não incentiva ninguém a mudar de vida. ''Tanto é que, naquela época, eu assistia à novela e nem passava pela minha cabeça ser garota de programa. Eu nunca me espelhei em coisas de novela para fazer as coisas na minha vida. Quando a pessoa vai fazer alguma coisa é porque já está com uma opinião formada e decidida a tomar essa atitude'', acrescentou.
Apesar de confessar que já tentou por diversas vezes abandonar essa profissão, Mirian revela que o dinheiro acaba sendo um bom atrativo. ''Pensei comigo, poxa vida, trabalhei o dia todo e ganhei R$ 15. Aqui, em quarenta minutos ganhei mais que o dobro. Depois que eu entrei nessa vida eu não conseguia mais sair. Tentei várias vezes, mas sempre que eu entro em dificuldade financeira, o primeiro lugar que eu venho é aqui'', desabafou.


