Alessandra Campos
De Campinas
Especial para a Folha2
Em fevereiro do ano 2000, os Demônios da Garoa completam 57 anos de carreira ininterrupta. A proeza de estarem tantos anos juntos e em atividade já rendeu ao grupo reconhecimento no Guiness Book - edição de 94 - como o conjunto musical mais antigo do Brasil. Agora, os Demônios querem conquistar o planeta e entrar no novo milênio como o grupo que atua há mais tempo no mundo. Há cinco anos eles esperam por esse título, que também será registrado no livro dos recordes. E para começar o novo século com o pé direito, os Demônios já preparam um disco em homenagem aos 90 anos de Adoniran Barbosa, que seriam completados em 6 de agosto de 2000. O novo CD, ainda sem nome, traz uma música inédita e deverá chegar ao mercado nacional entre março e abril do ano que vem.
Há vários anos longe da mídia e do roteiro de grandes espetáculos - o grupo faz cerca de dez shows por mês no País e se apresenta, na maioria das vezes, em festas e convenções - os Demônios anunciaram com exclusividade para a Folha que vão voltar para infernizar o mercado de discos. ‘‘Queremos que nossas músicas toquem em rádios, que o grupo apareça na tevê e que o consumidor encontre nossos discos nas lojas. Pretendemos fazer muito sucesso e garantir lugar de destaque nas paradas com nosso novo trabalho’’, admite o pandeirista e integrante da nova geração Sérgio Rosa, filho de Arnaldo Rosa, um dos fundadores do grupo (leia texto nesta página).
Para voltar às paradas de sucesso e conquistar uma nova legião de fãs, os Demônios apostam numa fórmula simples. ‘‘As músicas do passado estão voltando. Veja, por exemplo, a música ‘Sozinho’, do Peninha. Ela foi composta há muitos anos mas ninguém conhecia. Só estourou há pouco tempo depois que o Caetano Veloso a regravou. E o Reginaldo Rossi? Ele é da jovem guarda e hoje faz o maior sucesso. Nossa intenção é essa, resgatar as boas músicas e agradar’’, explica o produtor do grupo, Odilon Cardoso.
O novo disco, que homenageia os 90 anos de Adoniran Barbosa, já está em fase de produção e vai sair com o selo Trama, gravadora de João Marcelo Bôscoli, filho de Elis Regina e Ronaldo Bôscoli. Além das canções que transformaram-se em clássicos brasileiros, o CD traz em seu repertório algumas músicas pouco conhecidas pelo público como ‘‘Eu já Fui na Brasa’’, ‘‘Samba Italiano’’ e ‘‘Fica Mais um Pouco Amor’’. Esta última gravada apenas por Adoniran há cerca de 35 anos. O grupo mostra ainda uma canção inédita do sambista, chamada ‘‘Tadinho do Home’’. ‘‘O Adoniran fez essa letra e deu para o Roberto Barbosa, o Canhotinho, há muitos anos. E agora decidimos gravá-la’’, conta Sérgio. O novo CD deverá sair com 250 mil cópias. Número suficiente para garantir ao grupo um disco de platina. ‘‘Nós queremos este prêmio’’, diz.
Outro projeto do grupo paulista para o novo século, que por enquanto ainda está só no papel, é o relançamento do disco ‘‘Mais Demônios que Nunca’’, gravado na década de 60, na Argentina. Pela primeira vez, o grupo canta canções de grandes compositores da Música Popular Brasileira num ritmo mais bossa nova que samba. Segundo Cardoso, o disco fez sucesso na Argentina mas não chegou a ser lançado no Brasil.
Pelo jeito, os Demônios estão mesmo dispostos a dar a volta por cima. E para facilitar a subida, além de caprichar no novo disco, o título de grupo mais antigo do mundo em atividade viria a calhar. ‘‘Sabemos que o Trio Los Panchos, do México, é considerado um dos grupos que estão há mais tempo em atividade no mundo. Só que eles começaram a tocar em 44, enquanto os Demônios iniciaram a carreira um ano antes. No Brasil, Os Cariocas que são os mais antigos começaram em 47, quatro anos depois de nós’’, esclarece Sérgio.
Mas ganhar o reconhecimento mundial registrado no Guiness Book tem seu preço. ‘‘Esse título pesa muito. As pessoas vão começar a nos chamar de o grupo mais velho e não o mais antigo do mundo. Daí pra falar que a gente é peça de museu é um pulinho. E nós só aceitamos ser chamados de patrimônio histórico do País’’, brinca.Aos 57 anos de carreira, Os Demônios da Garoa querem entrar para o ‘‘Guiness Book’’ como grupo que atua há mais tempo no mundo
Paulo do AmaralWalter: no violão de seis cordasPaulo do AmaralIzael: fazendo a percussão para o grupoPaulo do AmaralO maestro Marco Antônio: tecladista há seis mesesPaulo do AmaralSimbad: violão de seis cordas e cavaquinhoPaulo do AmaralSérgio: pandeirista há 12 anos no grupo

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