Garimpo literário
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de agosto de 2018
Marcos Roman <br> Reportagem Local 
Na década de 1980, Domingos Pellegrini morava em São Paulo, de onde partiu para o interior do Mato Grosso com a missão de produzir uma matéria para a revista Playboy. Durante a viagem, ouviu histórias incríveis sobre o garimpo local e ficou impressionado com um grupo de três mulheres que trabalhavam sozinhas em busca de ouro. Já de volta a Londrina, sua terra natal, inspirado nas garimpeiras o escritor e jornalista começou a escrever o romance. Após permanecer engavetado por mais de 20 anos, o livro 'Mulheres Esmeraldas' acaba de ser publicado pela editora Gutenberg e será lançado nesta quinta-feira (16), às 19 horas, em sessão de autógrafos que acontecerá na Livraria da Vila, localizada no Aurora Shopping.

Pellegrini conta que conheceu as personagens que se tornariam protagonistas de seu livro por acaso. "Sugeri à revista Playboy uma reportagem sobre os profissionais liberais que deixaram o saturado mercado de trabalho paulistano para vida nova no Oeste brasileiro. Em viagem a Alta Floresta para essa reportagem, conheci o delírio de garimpeiros que ficavam ricos do dia para a noite e também logo empobreciam gastando euforicamente. Quando achavam um veio de ouro, ficavam 'bamburrados', ricos de repente, e também, dizia o povo, ficavam burros, gastando doidamente. Ai alguém me disse que garimpo 'com a cabeça no lugar' só mesmo garimpo de mulheres", lembra.
A partir deste comentário, o jornalista foi conhecer, de táxi, um garimpo perto da cidade. "Na verdade três mulheres que faziam 'catação', remexendo montes de cascalho deixados por garimpos anteriores, à procura de resquícios de ouro. Elas trabalhavam o dia inteiro, à tardinha voltavam para a cidade, num velho jipe, levando uma vida pobre, pois o rendimento daquilo jamais as enriqueceria, mas disseram que preferiam assim do que se arriscar nos garimpos de homens. Ali nasceu a ideia do romance", revela.
Voltando a morar em Londrina, Pellegrini escreveu, logo que comprou seu primeiro computador, em 1990, o romance "Mulheres Esmeraldas". Entretanto, devido a um incidente, o texto acabou ficando esquecido por anos. "Nomeei o arquivo com esse título, sem acrescentar antes a palavra romance, como passaria a fazer daí por diante. Por isso, ele passou mais de duas décadas esquecido na sua gavetinha separada dos outros, até ser achado numa limpeza de arquivos", relata.
Após imprimir o texto reencontrado, o escritor o mostrou à sua esposa Dalva, que gostou do que leu e enviou o texto à agente literária Luciana Villas-Boas, que também aprovou o romance. "De modo que a elas podem-se debitar quase todas as culpas por este romance onde o narrador também escreve seu primeiro romance. Entretanto, o livro foi totalmente reescrito antes de ser enviado à editora, inclusive com preciosas sugestões de Dalva e Luciana", conta.
"Mulheres Esmeraldas' confirma a visão de Wilson Martins de que Pellegrini, apesar de sua linguagem clara, é autor de um idioma próprio e de uma não menos própria visão de mundo`, e consegue isso através de um autêntico road-movie pelos brasis dos garimpos e das grandes e pequenas cidades. É uma história de amor com cenário nacional", escreveu Luciana Villas-Boas sobre a publicação.
Pellegrini salienta que o livro não traz nenhuma crítica social, pois isso dispensaria o leitor de pensar. "Mas mostra situações em que é preciso pensar sobre feminismo, diversidade - sexual, social, econômica - e empreendedorismo, amor e casamento, esquerdismo e direitismo, sentido de vida e outros assuntos que estão na ordem do dia e estão na essência do ser humano", enfatiza.
Ao comparar o cenário nacional descrito na época em que o livro foi gestado com o atual momento que o país atravessa, o escritor se mostra otimista. "O Brasil e o mundo cumprem o destino humano de melhorar sempre! A corrupção e o desgoverno atuais são apenas facetas de um Brasil que exibe seus desafios e certamente os superará, como muitos países já fizeram. Nasci num tempo em que os deficientes físicos e mentais eram segregados ou até enclausurados domesticamente, as mulheres eram muito mais discriminadas, os gays estavam quase todos no armário, nem existiam as palavras empreendedorismo, cidadania, ecologia. As cooperativas vão se consolidando e crescendo, e as nações vão forjando uma terceira via entre capitalismo liberal e socialismo autoritário. Olho para trás e só vejo transformações! Agradeço por viver no tempo de mais intensas e rápidas transformações da História não só do Brasil como da Humanidade", conclui.

Serviço:
Lançamento do livro 'Mulheres Esmeralda', de Domingos Pellegrini
Editora: Gutenberg
Quando - Quinta-feira (16), às 19 horas
Onde - Livraria da Vila - Aurora Shopping (Av. Ayrton Senna da Silva, 400)
Gratuito


