Garib estréia no mercado editorial
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quinta-feira, 25 de outubro de 2001
mercado editorial<br> De Londrina 
A faceta de dramaturgo de Adriano Garib ganha formato de antologia teatral. Sábado, a partir das 20h30, ele faz o lançamento do livro ''Teatro de Adriano Garib'', na Biblioteca Pública Municipal de Londrina. O début no mercado editorial reúne cinco textos teatrais: ''O Paciente'' (97), ''Sexta 31'' (99), ''O Golpe do Milênio'' (99), ''O Clube dos Feios'' (2000) e ''O Filho'' (2000).
''Garib tem a vantagem de poder enxergar o teatro do lado de dentro. Sua experiência como ator é transportada para o campo literário de maneira direta'', ressalta o crítico literário Marcos Losnak, na apresentação do livro. Adriano Garib convive com as atividades de ator e escritor desde a juventude, vivenciando paralelamente as duas paixões. Inicialmente, Garib realizou várias adaptações de textos alheios para o teatro. A seguir resolveu compor suas próprias peças, se dedicando com afinco à dramaturgia.
As cinco peças presentes lançadas na antologia possuem vasos comunicantes e sintetizam uma característica de Adriano Garib: a compulsividade retórica. Nesse texto, percebe-se com nitidez a possibilidade de convivência irônica e falsa.
''O Paciente'' tem parentesco com o Hamlet, de Shakespeare. O autor situou a trama num consultório terapêutico para que pudesse dar vazão à exuberância retórica que Garib sente falta nos textos modernos. O autor se questionou em qual circunstância o homem médio pudesse falar com mais propriedade e mais transparência e o consultório terapêutico pareceu o local ideal. No texto seguinte, ''Sexta 31'', as referências a Luis Buíuel são declaradas. Escrita para a Oqueoguruviu Cia. de Teatro, do Rio de Janeiro, o texto expõe as verdadeiras facetas de seis amigos, durante o último dia de dezembro de 1999.
Com referências brechtnianas, Garib concebeu ''O Golpe do Milênio'', em que retrata uma farsa no mundo da mídia (Adriano Garib também é jornalista). Na história, o dono de um grande jornal forja um herói popular, para alavancar as vendas do jornal para as classes C e D. Garib considera esse texto como farsa irresponsável.
''Em Clube dos Feios'', peça escrita em Londrina, o autor se propõe dar voz aos excluídos que fogem dos atuais padrões de beleza. ''Todo ressentimento se torna uma arma'', destaca. A última peça da antologia, ''O Filho'', é considerada a melhor, na visão do autor. De certa forma um prolongamento de ''O Paciente'', pois o protagonista é o mesmo, mas se apresenta mais familiar e aristocrático.
Adriano Garib estreou em setembro o espetáculo ''Na solidão dos Campos de Algodão'', de Bernard-Marie Kolts, dirigido por Paulo José. Para ele, o autor francês apresenta uma esgrima verbal desafiante. ''Teatro de Adriano Garib'', lançamento do livro amanhã, às 20h30, na Biblioteca Pública Municipal (Av. Rio de Janeiro, 415). O livro faz parte do projeto O Fim da Literatura e tem patrocínio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, Caixa Econômica Federal, Midiograf e Hotel Coroados. O lançamento integra os eventos comemorativos dos 50 anos da Biblioteca de Londrina.
(F.F.)


