Garganta tropicalista
Garganta tropicalista
A banda Garganta Profunda faz show em Curitiba e reverencia o movimento tropicalista
Zeca Corrêa Leite
Curitiba
Naquelas noites de outubro de 1967, os brasileiros de todo o País acompanhavam ávidos as imagens (em preto-e-branco) do festival de música da TV Record, de São Paulo. Histórica edição: Caetano Veloso e Gilberto Gil ficaram entre os cinco primeiros lugares com, respectivamente, Alegria, Alegria e Domingo no Parque. Era o início da Tropicália.
Trinta anos depois o movimento tropicalista será reverenciado com o espetáculo Garganta Canta Tropicália - Vida, Paixão e Banana, com o Garganta Profunda. A montagem terá apresentação única nesta sexta-feira, no Teatro da Reitoria.
Amanhã o grupo sobe ao palco do teatro do Museu Metropolitano de Arte, no bairro do Portão, para um novo programa: Tom Jobim e canções a capella. Garganta in Concert terá outro clima, completamente diverso, com temas livres.
Pau-brasilOs 30 anos da Tropicália serão rememorados com uma sequência musical que começa com Saudosismo, interpretada pelo maestro Marcos Leite. O número foi escolhido como um antídoto à melancolia que costuma baixar quando a conversa é a música brasileira dos anos 60.
A seguir vem um repertório que tem Bat Macumba, Tropicália, Mamãe Coragem, Expresso 2222, Soy Loco por ti América, Hino ao Senhor do Bonfim, Made in Brazil. Tropicália foi saudada por Augusto dos Anjos, na época do seu lançamento, como sendo a primeira música pau-brasil.
A antropogafia de Oswald de Andrade, tão em voga na época, mistura-se no espetáculo. Para trazer de volta esse clima de caráter antropofágico e universal foram incluídas no roteiro três canções vencedoras dos festivais de 1965, 1966 e 1976: Arrastão, Upa Neguinho e Ponteio. Produções de um momento que ficou entre a bossa nova e a tropicália.
Hebe e ChacrinhaO passeio por essas paragens lideradas por Caetano e Gil traz emaranhada a história brasileira, queira ou não. London London foi escrita durante a permanência dos artistas na Europa, já que a situação no País era insustentável. Irene reflete o mesmo sufoco, em cuja letra Caetano Veloso anseia por ver sua irmã rindo (quero ver Irene dar sua risada).
Hebe Camargo e Chacrinha têm a cara brasileira e por isso entram em cena, seja nas vinhetas do programa do Chacrinha, como no quadro do programa de auditório de Debe Amargo. A noite termina com Desde que o Samba é Samba. O bom humor, a alegria tomam conta da ação. A sina do Brasil é esta: um povo que sabe rir.
Vida Paixão e Banana - Garganta Canta Tropicália- show com o Garganta Profunda. Hoje, às 21h, no Teatro da Reitoria. Ingressos a R$ 15,00. Dia 14, às 21h, no teatro do Museu Metropolitano de Arte (Avenida República Argentina, 3.430). Ingressos a R$ 10,00.





