Gargalhadas em estado puro
Gargalhadas em estado puro
A companhia espanhola Yllana diverte o público do festival
Marcos Losnak
Especial para a Folha 2
Cena de Glub! Glub!: bons cômicos em açãoUm pateta pancada diverte muita gente. Dois, divertem muito mais. Três, nem se fala. Quatro patetas, juntos, podem se tornar perigosos, podem provocar a falta de ar em meio a gargalhadas.
Este alegre perigo chama-se Glub! Glub!, espetáculo que a companhia espanhola Yllana reapresenta hoje no Festival Internacional de Londrina. Os quatro patetas em questão, os atores Antonio de la Fuentes, Raul Pardo, Ramón Sáez e Fernando Gil, não possuem nenhum sentido profundo para anunciar, nenhum argumento conceitual para revelar, nenhuma teoria estética para apresentar. O único objetivo é, literalmente, fazer rir e para isso são capazes das coisas mais absurdas para levar a platéia ao delírio.
Glub! Glub! é formado por várias sketches que giram em torno de quatro atrapalhados marinheiros. Relacionadas ao universo marítimo, ou ao dia-a-dia do navio, as cenas utilizam elementos do cinema mudo, clown e pastelões em geral. Um humor cômico influenciado pelos Irmãos Marx, Chaplin, Três Patetas, Monty Python, Buster Keaton, etc.
Sem fazer uso de palavras, apenas onomatopéias, a companhia utiliza o mínimo de objetos de cena e cenários. O eixo de Glub! Glub! está pautado na expressividade dos atores. A matéria-prima para a construção das sketches engloba desde o recurso mais bobo, o kitch e pastiche em estado puro, até cenas elaboradas com originalidade de grande resolução.
Os palhaços do Yllana estabelecem, através do riso, uma interatividade com o público. A cumplicidade do fazer rir com o riso, a gargalhada. Conseguem criar um território próprio da graça, onde o mundo externo, a realidade problemática do cotidiano, é devidamente jogado para o lado de fora do teatro.
No final de Glub! Glub!, o público é convidado a fechar o ciclo participando do espetáculo como o passageiro de um parque de diversão. Um espaço temporal destinado à katharsis, onde palco e platéia tornam-se uma única coisa.
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