García Márquez transforma ilusão em realidade
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segunda-feira, 06 de julho de 1998
Rafael Vogt Maia Rosa Agência Folha 
O contista e romancista Gabriel García Márquez, 70, é provavelmente o nome mais conhecido e de maior projeção internacional da literatura latino-americana. Influenciado no início da carreira por escritores norte-americanos como W. Faulkner e E. Hemingway, García Márquez ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1982 e passou a ser aclamado como o principal nome do chamado realismo mágico.
O termo que se transformou num rótulo para grande parte da arte feita na América Latina era usado, na década de 50, para classificar a produção de escritores como o guatemalteco Miguel Asturias (1899-1974) e o cubano Alejo Carpentier (1904-1980), que exploravam uma imagem ligada à magia dos trópicos. Em 1967, ganhou estatuto de gênero literário, após a publicação de Cem Anos de Solidão, a obra-prima de García Márquez. O livro teve mais de 30 edições em língua inglesa e se consagrou como um épico do universo hispânico e indígena da América do Sul. Com uma linguagem acessível, que ganhou rápida popularidade, o autor contou a trajetória de uma família habitante da aldeia de Macondo, criada a partir de Aracataca, lugar onde ele nasceu. Essa pequena vila no norte da Colômbia, que o escritor só voltou a ver com mais de 20 anos de idade, foi a base para quase todas as suas obras iniciais, como La Hojarasca (1955) e O Coronel Não Tem Quem lhe Escreva (1961). A prosa de García Márquez é marcada pela criação de um mundo imaginário em que os fatos e leis se explicam somente no contexto da narração. Com ela, o autor renovou formas tradicionais da literatura universal. Tudo é descrito com enorme riqueza de detalhe, ao mesmo tempo, de uma maneira que aparenta objetividade e verossimilhança. Assim os acontecimentos narrados em Cem Anos de Solidão passam a ser tão claros e palpáveis quanto a história social e política da Colômbia. No lugar de se promover como um escritor cultuado, de fama universal, ou de espalhar a imagem do artista como um erudito que aprendeu uma técnica indecifrável, García Márquez costuma fazer a defesa do jornalismo e da reportagem como fontes principais de sua literatura. Segundo o próprio escritor, seu realismo mágico, além de ter origens na maneira eloquente com que sua avó lhe contava histórias, está ligado também à época em que trabalhou como repórter e correspondente em Nova York, Paris e Roma, para o jornal colombiano El Espectador. Declarou que a profissão de repórter lhe rendeu recursos descritivos e uma inclinação para lidar com os fatos como se o jornalismo mantivesse um sentido comum ao registro literário.
García Márquez é autor, entre outros, dos romances Crônica de uma Morte Anunciada (1981), O Amor nos Tempos do Cólera (1985) e O General em Seu Labirinto (1989). Em 95, voltou ao jornalismo, escrevendo para o El País.


