Gangorra emocional
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de janeiro de 2015
Geraldo Bessa<br>TV Press 
Por trás de toda relação amorosa aparentemente perfeita existem segredos e desejos individuais. "Felizes Para Sempre?", série que a Globo estreia segunda-feira, às 22h50, pretende ir a fundo nas mentiras que, muitas vezes, envolvem um casal. Escrita por Euclydes Marinho e baseada em "Quem Ama Não Mata", produção do mesmo autor exibida em 1982, a nova série utiliza apenas o mote do texto original: relaciona a vida desgastada de casais a um crime passional.
Para não deixar dúvidas sobre as diferenças entre as obras, Euclydes fez questão de atualizar a interação desses pares com referências contemporâneas. "Acho que as relações afetivas de hoje em dia têm um pouco menos de mentira e hipocrisia. Além de lidar de forma mais natural com temas como aceitação das diversidades sexuais, remédios para a disfunção erétil e popularização da psicanálise. Esses avanços mudaram muito a cabeça das pessoas", acredita o autor.
Ambientada em Brasília, mas gravada entre a Capital Federal e locações em São Paulo, a série ganhou forma sob a direção de Fernando Meirelles, diretor de longas como "Cidade de Deus" e "Ensaio Sobre a Cegueira", e sócio principal da produtora O2 Filmes que já trabalhou em regime de parceria com a Globo em produções como "Som & Fúria" e "A Mulher do Prefeito".
"A Globo tinha o texto do Euclydes e nos convidou para produzir. Gostamos muito da história e propusemos levá-la para Brasília, uma cidade linda e pouco explorada pela tevê. O que mais atraiu a nossa equipe para o projeto foi o tom forte e essencialmente folhetinesco do texto. Vai ser fácil causar identificação com o público", aposta Fernando, que dirige os 10 episódios em parceria com Paulo Morelli, Rodrigo Meirelles e Luciano Moura.
Na história, Marília e Cláudio, de Maria Fernanda Cândido e Enrique Diaz, apesar de ricos, bem-sucedidos e invejados, há muito já sentiram que o amor chegou ao fim. Tânia e Hugo, de Adriana Esteves e João Miguel, sofrem com a falta de afinidade, um filho problemático de 16 anos e a ambição profissional desmedida de Tânia. Joel e Susana, de João Baldasserini e Caroline Abras, se conheceram em uma clínica de reabilitação e, livres das drogas, acabaram caindo na rotina. Norma e Dionísio, de Selma Egrei e Perfeito Fortuna, após 46 anos de casamento, têm a relação desestabilizada por outros amores. Por fim, Denise e Daniela, de Paolla Oliveira e Martha Nowill, dividem o teto, as contas, a mesa e a cama. Mas escondem uma da outra suas reais intenções. "Em conjunto, essas histórias representam um mosaico muito humano. Nada é exagerado. Tenho a impressão de que a gente está olhando as histórias dessas pessoas pelo buraquinho da fechadura", ressalta Adriana Esteves.
Relações familiares e profissionais interligam os cinco casais. Mas tudo muda quando Denise, sob o codinome de Danny Bond, uma prostituta de luxo, entra na vida dos pares e um crime acontece. A narrativa da série transforma e confunde os personagens nas funções de vítimas e culpados. "Apesar de modificar as relações entre os casais, não acredito que minha personagem seja vilã. A Denise é muito mais do que esse estereótipo, ela é apenas o detalhe que faltava para tudo ruir. Foi muito complexo interpretar uma mulher de tantas facetas. Fui descobrindo durante as gravações", analisa Paolla Oliveira.
Gravada entre outubro e novembro do ano passado, a série levou cerca de 200 profissionais para Brasília e outras regiões mais afastadas do cerrado. O tempo fora dos gélidos estúdios, entre leituras e ensaios, foi ideal para que o elenco principal garantisse o entrosamento ideal. "O ambiente gostoso de trabalho se contrapõe com o clima pesado da série. É um produto feito com muito cuidado e com alto nível de qualidade técnica. Todo mundo está bem empolgado com o resultado", valoriza Maria Fernanda Cândido.
Serviço:
"Felizes Para Sempre?" Estreia segunda-feira, às 22h50, na Globo


