Agência Estado

Arquivo FolhaMahatma GandhiNo dia 30 de janeiro de 1948, um ativista hindu assassinava Mohandas Karanchand Gandhi, ou Mahatma Gandhi, o maior líder pacifista deste século, que pregava a não-violência e desejava ver concretizada a independência de seu país, a Índia. Conseguiu a independência, mas isso desencadeou a divisão do país e a morte de 200 mil pessoas.
Seu assassino, o extremista hindu chamado Nathuram Godse, era seu seguidor. Mas mudou de idéia quando Gandhi foi a favor ao pagamento de uma indenização ao Paquistão muçulmano. Godse, armado com uma pequena pistola, foi ouvir as pregações do seu ex-mestre sobre a fraternidade entre hindus, muçulmanos e sikks. Aproximou-se de Gandhi, ajoelhou-se e disparou três tiros. O líder pacifista de 79 anos exclamou ‘‘He Rama’’ (expressão hindu que pode ser traduzida por Meu Deus) e morreu meia hora depois.
Há um ano, seu bisneto Tushar conseguiu reaver a última urna com as cinzas de Mahatma (grande alma), que estava guardada na sede do Banco Central indiano. As cinzas foram lançadas nas águas do Rio Ganges. Há dois anos, cartas inéditas escritas por Gandhi foram divulgadas e leiloadas. Elas foram escritas durante seus últimos seis meses de vida e foram guardadas por seu secretário particular, V. Kalyanam. Em uma delas Gandhi escreveu: ‘‘Talvez seja errado descrever meu atual estado de espírito como depressivo. O termo mais adequado é impotência. Nesta situação, devo invocar a ajuda do Todo-Poderoso para me resgatar deste vale de lágrima em vez de me deixar como testemunha impotente desta carnificina de homens tornados selvagens, sejam hindus ou muçulmanos.’’
Para muitos a lembrança de Gandhi foi bem personificada pelo ator Ben Kingsley, no filme que leva o seu nome e que recebeu os Oscars de melhor filme, ator, direção, roteiro, fotografia, figurinos, direção de arte e montagem, em 1983. Alguns críticos não gostaram do resultado dizendo que o longa-metragem fazia uma apologia ao governo da Índia, na época governada por sua filha Indira Gandhi. Além do filme, há 400 biografias sobre ele e seus escritos estão reunidos em 80 volumes.
Liberdade Gandhi nasceu na Índia, foi estudar Direito na Inglaterra, e morou também na África do Sul. Aos 46 anos foi chamado de Mahatma - a grande alma - por Rabindranath Tagore. Ele pregava a não-violência, fazia greves de fome, fez voto de castidade e pobreza, e sonhava com uma Índia livre do Império Britânico. Costumava vestir uma túnica de algodão e calçar sandálias. E mesmo assim, aparentemente muito magro e frágil, conseguiu comandar, sem exércitos, seu país para a liberdade.
Ele dizia que a não-violência entrou em sua vida quando morava na África do Sul e tentou comprar um bilhete de primeira classe para viajar de trem. Ele foi agarrado por um guarda e levado até uma cela escura. Foi nessa cela que ele resolveu continuar a morar na África. Lá fundou o Partido de Nacionais da Índia, depois o jornal ‘‘Indian Opinion’’, tudo para ajudar os residentes indianos naquele país. Logo depois começou a criar o movimento Satyagraha (a força que nasce da verdade e do amor).
Sempre ávido por informações, o líder pacifista estudou os Upanishads, o Corão e a Bíblia, sem deixar de lado o Bhagavad Gita. Através de seus estudos, ele decidiu largar a advocacia e abdicar de todos os seus bens materiais para viver em completa pobreza. Gandhi só voltou à Índia em 1915, época na qual já havia escrito o livro ‘‘Hind Swaraj’’, no qual relatava suas idéias sobre uma sociedade livre de explorações. De volta a seu país natal fundou um centro de Satyagraha, na qual seus membros deviam respeitar a verdade, a não-violência, fazer o celibato e votos de coragem (para lutar contra a as castas indianas). Além disso, os membros só poderiam falar em sua língua natal e trajar o khadi. O centro começou com 25 membros.
Em 1930, Gandhi iniciou suas campanhas contra o domínio britânico e sua principal arma era o jejum, greves de fome públicas. Dezesseis anos mais tarde a Inglaterra optou por conceder a independência à Índia, mas havia uma condição, repartir o país em dois: o Paquistão ficava com a população muçulmana e a Índia com os hindus. Gandhi foi contra pois previa muitos conflitos. E a História provou que o líder da não-violência estava certo. Para acabar com a crise entre muçulmanos e hindus, principalmente em Calcutá, Gandhi fez mais uma greve de fome, só que dessa vez prometia ficar sem comer até morrer caso a briga continuasse, o argumento funcionou e os conflitos cessaram.

mockup