'GAMBIARRA'
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de abril de 2001
Sid SauwerDe Campo Mourão 
A Verve Companhia de Dança realiza neste final de semana a pré-estréia de seu novo espetáculo: Gambiarra. Serão duas sessões no Teatro Municipal de Campo Mourão. Uma hoje, às 20h30, e outra amanhã, às 16 horas. O espetáculo mistura dança e teatro para falar da capacidade de dar a volta por cima e o jeitinho brasileiro para se virar em qualquer situação.
Em Gambiarra, a Verve apresenta a intereseção das três influências responsáveis pela base na formação do povo brasileiro - o índio, o português e o africano - e as consequências dessa mistura até hoje. É assim que os quadros se desdobram, conta o diretor do grupo, Fernando Nunes. Personagens deste universo se cruzando em cena, sem querer contar uma história, sem interpretação linear ou hipóteses rigorosas, mas oferecendo fragmentos dela. Intérpretes e obras se interagindo, com passos inventivos, cheios de fantasias e esperanças entusiásticas.
Ao retratar a vida moderna, o novo espetáculo da Verve mostra também as heranças latinas do povo brasileiro, com pessoas que gesticulam, falam muito e, no caos, acabam se entendendo. O espetáculo ainda ressalta as pessoas que sobrevivem à base da criatividade, do gosto pelo trágico, a presença da violência e o humor que se mistura à vida real.
Segundo Nunes, o trabalho é diferente do espetáculo anterior do grupo, o premiado Truveja Pra Nóis Chorá. Truveja era mais poético, explica. Gambiarra é forjado e banhado por uma fina ironia, permeado pelo humor sutil, e até negro, presente em tantas situações presenciadas e vividas nos mais diferentes níveis da sociedade brasileira.
O desfecho de Gambiarra adquire um tom de crítica e esperança. Afinal de contas, aceitação, resignação e celebração são invariavelmente os protagonistas de qualquer enredo brasileiro, frisa o diretor. Somos um povo celebrado por nossa passividade, mas o que vemos na realidade ao longo da nossa formação são formas de violência relacionadas à exclusão, a opressão, além do forte contraste social que suplanta à violência física.
De acordo com Nunes, o espetáculo não tem compromisso com a reflexão, nem com o humor. Mas dançando somamos um pouco do que somos, com o que temos feito. É uma leitura abstrata, de fragmentos que ao final identificam o caótico processo social de construção do País, criando uma cumplicidade com o expectador.
Gambiarra será apresentado no dia 13 de maio em Londrina, durante o Festival Internacional de Teatro FILO. Em junho, no dia 16, será a vez de Maringá. Antes, a Verve tem ainda apresentanções de Truveja prá Nóis Chorá, nos dias 25 e 30 de abril, em Bucaramanga, na Colômbia, e nos dias 9 e 11 de maio em Campo Grande e Dourados, no Mato Grosso do Sul.
Ficha Técnica:
Concepção e Direção: Fernando Nunes
Coreografias: Fernando Nunes, Mariussa Bregoli, e Moacir Coletto
Elenco: Mariusa Bregoli, Moacir Coletto, Valdir Rocha, Austin Andrade e Juliana Pepinelli
Luz e Som : Silvio Vilczak


