Galileu mentiu
para sobreviver
O italiano Galileu Galilei, um dos maiores cientistas do Renascimento, também foi processado pela Inquisição. Mas conseguiu escapar da pena máxima renegando suas idéias, entre as quais que a Terra girava em torno do Sol.
A Igreja defendia com vigor a teoria heliocêntrica, estabelecida pelo astrônomo egípcio Cláudio Ptolomeu, que viveu no século 2 depois de Cristo. Segundo ele, a Terra era o centro do Universo, ao redor da qual giravam os outros corpos celestes: o Sol, a Lua, planetas e estrelas. Para a Igreja, esse sistema, que teria fundamentos na Bíblia, confirmava que o homem, que seria imagem e semelhança de Deus, estava no centro do universo.
Mas, em 1530, o astrônomo polonês Nicolau Copérnico lançou a teoria heliocêntrica, segundo a qual o Sol seria o centro do universo. As idéias dele, que morreu de causas naturais poucos anos depois de divulgá-las, abalou as comunidades científicas e religiosas. Giordano Bruno defendia o heliocentrismo. Galileu Galilei também concordava com o astrônomo polonês e atacava as supostas bases científicas da Bíblia. Para ele, as Sagradas Escrituras ‘‘são meramente alegóricas e não competentes para conclusões científicas’’.
O cientista afirmou: ‘‘As Sagradas Escrituras e a natureza vêm da palavra Divina. Mas, enquanto a Bíblia, acomodando-se à inteligência do comum dos homens, fala, na maioria dos casos e com razão, a partir das aparências, e emprega termos que não são destinados a expressar a verdade absoluta, a natureza se conforma, rigorosa e invariavelmente, às leis que lhe foram dadas. Não se pode, apelando aos textos das Escrituras, pôr em dúvida um resultado manifestamente adquirido por observações seguras e provas suficientes.’’
Em 1616, a Igreja reagiu e pôs no Índex, lista de livros proibidos, a obra de Copérnico ‘‘Sobre a Revolução dos Corpos Celestes’’. E em 1633 Galileu foi processado por heresia. No dia 22 de junho, ele renegou suas idéias. De joelhos e com a mão na Bíblia, Galileu afirmou: ‘‘Abjuro, maldigo e detesto os citados erros e heresias.’’ Há versões, nunca confirmadas, que o cientista, logo após ter abjurado suas idéias, disse baixinho ‘‘Eppur si muove’’(No entanto se move), referindo-se à Terra.
Para alguns a negação de Galileu foi uma prova de covardia, ele não teria tido a coragem de Giordano Bruno. Para outros, ela foi consequência de um pragmatismo inteligente, pois, evitando a morte, Galileu pôde continuar suas pesquisas científicas. Em 1992, o papa João Paulo II perdoou Galileu, afirmando que a perseguição ao cientista foi ‘‘o símbolo de uma pretensa recusa, da parte da Igreja, em aceitar o progresso científico’’. (R.G.)

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