Galápagos, um arquipélago sem igual
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terça-feira, 11 de outubro de 2005
Fábio Vendrame<br> Agência Estado 
Galápagos - A singularidade da vida impressiona em Galápagos, arquipélago a mil quilômetros da costa do Equador com um ecossistema único no planeta. Foi ali que o naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882) fundamentou sua teoria sobre a evolução das espécies, segundo a qual os animais sofrem adaptações para sobreviver às condições impostas pelo meio em que habitam.
A bordo do Beagle, Darwin permaneceu no arquipélago de 15 de setembro a 15 de outubro de 1835. Visitou quatro ilhas (San Cristóbal, Floreana, Isabela e Santiago) e ficou fascinado com o que viu. Porque viu o que só se vê em Galápagos: iguanas marinhas, mergulhões de pés azuis, tartarugas gigantes e aves que não habitam outros rincões senão este.
Cento e setenta anos depois, turistas de todas as partes do mundo podem dividir o prazer de se sentirem privilegiados tal e qual Darwin. Declarado Patrimônio Natural da Humanidade, além de Reserva Marinha e Parque Nacional, Galápagos atualmente conta com meios de hospedagem em terra e cerca de 30 embarcações dedicadas a promover cruzeiros turísticos.
Mas, se quase todos os animais em Galápagos continuam a ser os mesmos que os vistos por Darwin, de algumas ilhas não se pode dizer isso. A mão do homem tem tratado de dar uma nova cara à Ilha Isabela, onde está em construção um píer para receber com mais ''comodidade'' os desembarques. Cachorros passeiam pela vila e, na orla, foram plantados coqueiros, o que deu ao local um aspecto tropical que nada tem a ver com a Galápagos de Darwin.
Conjunto de 15 ilhas grandes e mais de 40 ilhotas de origem vulcânica com idade média de 4 milhões de anos, Galápagos recebe atualmente cerca de 70 mil visitas por ano. E, para espanto de ambientalistas, os órgãos responsáveis pelo fomento do turismo no Equador afirmam que o objetivo é elevar esse número para 120 mil até 2008.
O meio ideal de conhecer Galápagos é a bordo de um cruzeiro. O M/N Santa Cruz, o pioneiro no ramo, promove programas de três a sete noites. A embarcação, de 1979, tem capacidade para 90 hóspedes e uma tripulação de 52 pessoas sob o comandado do capitão Eduardo Neira, que também se aventura a cantar e a tocar violão.
O Santa Cruz oferece uma infra-estrutura condizente com a proposta de um cruzeiro de exploração. Para entretenimento dos passageiros, dispõe de bar, deck com espreguiçadeiras e jacuzzi, uma loja e sala de leitura. Nas cabines não há TV nem frigobar. Nem poderia ser diferente: a idéia é justamente entregar-se à natureza de Galápagos.
Por isso, a grande atração são os desembarques, feitos por meio de ''pangas'' (botes de borracha). Cada dia reserva dois momentos como esse. Antes de cada um deles, há uma palestra com orientações sobre o que os turistas irão encontrar nas diferentes ilhas.
Momentos tocantes, proporcionados pela emoção de saber-se num lugar único no planeta, preenchem o dia dos passageiros. Um lobo-marinho amamentando, um albatroz lançando-se num vôo sem igual - são as aves de maior envergadura do mundo, com mais de 3,5 metros de uma ponta à outra da asa -, um mergulhão de pés azuis exibindo-se feito um contorcionista para convencer a fêmea a se acasalar e um grupo de iguanas com aspecto pré-histórico são capazes de hipnotizar qualquer um.
E há as tartarugas gigantes. Ameaçadas de extinção, vivem em cativeiro e podem ser vistas em centros de criação como o da Ilha Isabela. São animais impressionantes: as adultas alcançam 1,50 metro de comprimento e pesam 250 quilos. Vivem em média 150 anos. Mas a visita ao centro pode ser frustrante. O local carece de infra-estrutura e de guias especializados.
Também causa uma certa desconfiança o lugar em que habitam os tubarões tintorera. Os turistas são conduzidos por uma trilha em meio a uma paisagem vulcânica desoladora até chegarem a um canal cheio desses animais. Parece combinado.
Agora, há mais uma coisa impagável: o mergulho em alto-mar. A atividade é indicada apenas para quem está acostumado e, de fato, exige um certo preparo. Com máscara, snorkel e pés-de-pato, os turistas lançam-se ao mar e testemunham uma riqueza subaquática espantosa: podem ver tubarões e raias douradas ou até nadar com lobos-marinhos. Uma experiência digna de um local singular.


