Cantigas dos trovadores do Nordeste da Península Ibérica, interpretadas em galaico-português, língua usada nos séculos 11, 12 e 13, serão executadas pelo grupo espanhol Música Antigua, com direção de Eduardo Paniagua, hoje, às 19 horas, no Teatro do Paiol.
O grupo está em turnê pelo Brasil e já se apresentou em Brasília e Porto Alegre. De Curitiba os músicos seguem para do Rio de Janeiro, onde cantam na Igreja da Candelária, Belo Horizonte e Salvador.
Segundo o diretor, até o século 14 o idioma para a poesia e as canções nos reinos de Castela, Leão e Portugal era o antigo galego, chamado galaico-português. Na corte de Afonso X o Sábio, (1253-1284), o castelhano tem sua implantação definitiva como idioma oficial para os documentos científicos e históricos, substituindo o latim, mas a poesia e a música continuavam sendo escritas em galaico, que registra importante período da música e literatura da época.
Cantiga é o nome dos poemas e canções no galaico-português. Denominam-se de ''amigo'' quando é a namorada a que canta, e de ''amor'' quando é o amante o que canta à sua amada. Outros gêneros como o ''escárnio'' e ''maldizer'' tratam conteúdos de sátira com múltiplos motivos: políticos, ironias pessoais, decepções, etc.
O Ocidente europeu desde o século 6, quase em sua totalidade, foi marcado por uma série de proibições das autoridades religiosas sobre os cantica amatoria et turpia realizados por choreis femineis. Condenou-se o repertório por considerá-lo corpóreo e sensual. Carlos Magno, no ano 789, ordena que ''nenhuma abadessa se atreva a abandonar o mosteiro sem nossa permissão, que as celas das freiras estejam bem trancadas, e que de nenhum modo ousem escrever nem enviar winileodas (canções de amigo)''.
O ponto de partida da canção amorosa feminina conhecida, quando a mulher que se mostra como condutora do canto, aparece pela primeira vez nas moaxajas da poesia musical arábico-andaluza. Os trovadores occitanos no meio aristocrático do século 12, inspirados no mundo andaluz, desenvolveram a literatura do amor cortês (fin'amors). Previamente no sul da Espanha floresceram no século 11 as jarchas, pequenos poemas de caráter popular bilíngues do incipiente idioma romance e do árabe.
A corte castelano-leonesa de Afonso VII deixa um legado por volta do ano 1135 dos novos modelos líricos com trovadores como Marcabru, com os diálogos entre vozes femininas e masculinas.
A tradição lírica galaico-portuguesa nasce nesse tempo, com suas modalidades de cantigas de amor, amigo, escárnio e maldizer. Se na literatura provençal encontramos várias autoras, como Beatriz, condessa de Dia, na galaica não se encontrou nenhuma.
As Cantigas de Amigo de Martin Codax são canções de uma moça apaixonada que conta sua dor causada pela ausência de seu amado, sua alegria pela espera de um próximo encontro, sua necessidade de confidências à sua mãe e amigas e o desassossego pela demora da chegada de seu amigo. A apaixonada começa e termina esse relato interrogando as ondas do mar de Vigo.
As Cantigas de Santa Maria de Afonso o Sábio, com quatro códices de miniaturas, música e poemas, em homenagem a Santa Maria com milagres e narrações maravilhosas sobre suas imagens e santuários, são as contribuições mais importantes da cultura espanhola do século 13 à civilização universal desde os pontos de vista da literatura, a música e a documentação da vida cotidiana da Idade Média, 427 obras, das que permanecem inéditas aproximadamente 280, segundo Eduardo Paniagua.
As apresentações do grupo Música Antigua fazem parte do Programa Espanha no Brasil 2001, que já trouxe para o Brasil mostras de Cinema e Vídeo Espanhol, exposições de fotografias e artes plásticas, concertos de músicas medievais e vários palestrantes de cinema, vídeo, história e crítica da arte. O programa é totalmente patrocinado pelo governo espanhol. Em Curitiba o Centro Cultural Brasil-Espanha fez parceiras com a Fundação Cultural de Curitiba (Teatro do Paiol e Cinemateca) e com a Cromo Espaço de Arte.


As Cantigas em Galaico-Português Trovadores do Nordeste da Península Ibérica, com o Grupo ''Música Antigua'' - Espanha, com direção de Eduardo Paniagua, hoje, às 19 horas, no Teatro do Paiol (Praça Guido Viaro s/nº). Entrada: 1 quilo de alimento não-perecível. Uma promoção do Centro Cultural Brasil-Espanha de Curitiba, com patrocínio do Ministério da Educação, Cultura e Esporte da Espanha, Embaixada da Espanha no Brasil e Agência Espanhola de Cooperação Internacional, em parceria com a Fundação Cultural de Curitiba.

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