Antes de ir a Guarapuava, Marcos Pasquim já havia participado de outro épico ao ar livre, o Descobrimento de São Vicente, na cidade litorânea paulista em 2000, nas celebrações dos 500 anos. ‘‘É uma emoção diferente. A energia da platéia é imensa. Pretendo fazer outros trabalhos assim. É gratificante’’.
Em sua estada na cidade paranaense, Pasquim não demonstrou seguir a cartilha do politicamente correto, uma característica que predomina tanto nos galãs de Hollywood quanto nos do Projac na atualidade. Tampouco pode ser encarado como um filho mais velho da geração saúde.
Embora não tenha dispensado a academia do hotel, onde chegou a fazer uma sessão de duas horas de exercício, Pasquim mostrou gostar mesmo de badalação e não se importou em dar um showzinho desagradável (muito eufórico, gritava na área externa do hotel clamando por mulheres) após uma noite de excessos na Pharol Bar e Café, a maior boate de Guarapuava.
Também demonstrou pouco preparo intelectual para um ator com ambições de encenar clássicos. Não soube comparar a política cultural dos últimos ministros do setor. ‘‘Gente, não sei nada de política. Não quero falar de política’’, reclamou. Chegou a elogiar Collor, dizendo que ‘‘ele abriu o País para as influências externas’’, mas evitou comentários sobre o longo governo Fernando Henrique Cardoso.
Suas pretensões de carreira internacional também esbarraram em problemas de convivência com os colegas argentinos da binacional Chiquititas, novela infantil que o obrigou a morar um ano e meio em Buenos Aires. ‘‘Não quero trabalhar lá de novo. Na Argentina, as pessoas nem mesmo disfarçam que querem passar a rasteira no colega. No Brasil, também tem muito disso, mas as pessoas parecem ter esperança que as coisas melhorem. Lá não, é tudo descarado’’, revelou.
Sobre as duras críticas que a imprensa e que historiadores portugueses reservaram a O Quinto dos Infernos, Pasquim disse que a minissérie tinha um trabalho de pesquisa e que a edição dos primeiros capítulos deturpou o roteiro original. ‘‘Mas depois os críticos morderam a língua. Foi um grande sucesso’’, defendeu.(L.F.M.)

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