Gal através do tempo
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de junho de 2017
Amanda Nogueira<br>Folhapress 

"Você é a maior cantora do Brasil", teria dito João Gilberto a Gal Costa, na época ainda conhecida como Gracinha, após fazê-la buscar seu violão e entoar uma canção atrás de outra em um encontro em Salvador, no início dos anos 1960.
O elogio era tudo que a garota, que começava a ficar conhecida na região, sonhava em ouvir - tamanha foi a influência do ídolo que chegou a ser chamada de João Gilberto de saia no início da carreira.
A história, já vista e revista nos autos da música brasileira, é uma entre as narradas na série documental "O Nome Dela é Gal", que estreou no domingo (11), às 22h, na HBO, e segue até o dia 30, em mais três episódios.
"Acho este momento mais do que apropriado para rever minha história", diz Gal Costa, 71, que celebrou 50 anos de carreira com o álbum mais recente, "Estratosférica", em 2015 - a cantora gravará um DVD do mesmo repertório no sábado (23) e no domingo (24), na Casa Natura Musical.
"[Foi] uma delícia rever tudo que fiz, ver como sou arrojada e como tenho carreira rica que se mantém fresca e renovada até os dias de hoje."
O primeiro episódio da produção, que será exibida em 24 países da América Latina, mostra como Maria da Graça Costa Pena Burgos, uma menina tímida, se tornaria Gal Costa - nome dado pelo empresário Guilherme Araújo.
Em uma parte do depoimento inicial, Gal fala sobre a separação dos pais, após a mãe descobrir que o marido mantinha outra família em Marcionílio Souza (360 km de Salvador). Para a cantora, são águas passadas. "Lembranças são todas boas como a vida com seus altos e baixos."
Um dos pontos altos são narrações de escritos pouco conhecidos da cantora, que pretende lançá-los num livro.
AMIZADES
O vídeo dedica boa parte do tempo para explorar a amizade com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia, convidados que prestam depoimentos generosos.
Bethânia, que diz não falar com Gal há anos, desde que Dona Canô morreu, em 2012, exalta Gal como a voz brasileira mais cristalina desde Dalva de Oliveira. A série adota o mesmo tom reverencioso.
"O fato é que desde o começo recebi muitos elogios que me deram muita força e certeza do que sempre quis. Nunca quis ser outra coisa na vida a não ser cantora", diz Gal.
Dirigidos por Dandara Ferreira, os quatro episódios - com cerca de 1 hora cada - enfocam mais a carreira do que a vida particular. "Ela é reservada, conta a história dela de uma forma humilde, mas não gosta que invada o espaço dela", afirma Ferreira.
"Gal Costa é uma artista subversiva que está sempre em transformação e essas transformações têm a ver com cada época", explica a cineasta.
Em seguida, a série aborda a ruptura na carreira bossa-novista quando a cantora assimila maior expressividade a partir de "Divino Maravilhoso" e torna-se um marco do tropicalismo na ditadura.
Estão registrados também o período mais pop, durante a redemocratização do país, e o momento atual, com a turnê de "Estratosférica".
Serviço:
"O nome dela é Gal", no canal HBO
Série de quatro episódios
Quando: às 22h, aos domingos (a partir do dia 11/6)


