GAIJIN EM LONDRINA
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de abril de 2001
Francelino França De Londrina 
A saga empreendida pela cineasta Tizuka Yamasaki para obter recursos destinados à realização do longa Gaijin 2 deixou sementes nas diversas cidades paranaenses. Ela já conseguiu patrocínios, parcerias e apoios para seu longa-metragem, mas falta muito chão vermelho para percorrer. O norte do Paraná vai ganhar um épico cinematográfico, disse, em entrevista exclusiva à Folha2. No percurso, a cineasta conheceu locações em Londrina, Maringá, Curitiba, Assaí, Campo Mourão, Arapongas, Uraí e Rolândia.
A cineasta quer fixar a paisagem do Paraná nas telas, retratando os vários povos colonizadores que se estabeleceram aqui, com destaque para a história dos japoneses. Ninguém conhece a história do Paraná, que é diferente de qualquer lugar, afirma. A base das filmagens será em Londrina e com locações nas cidades vizinhas, num raio de uma hora de viagem, anuncia.
Para a cineasta, o que aconteceu aqui em termos de encontro étnico é um exemplo para o mundo. As filmagens de Gaijin 2 acontecem no Paraná e no Japão, com início programado para janeiro de 2002, sendo que oito semanas serão destinadas às gravações no Paraná e duas no Japão. Tizuka está na fase final da pré-produção, etapa em que estabelece negociações fundamentais para a execução do projeto. A diretora ainda busca diálogo com empresários da região para que contribuam com a realização do épico através da Lei do Audiovisual, que destina 3% do imposto de renda da empresa para o filme.
Tizuka e o produtor Cacá Diniz estiveram na última quarta-feira apresentando o projeto do filme para a diretoria da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), em Campo Mourão. O agricultor paranaense produz alimento para o resto do mundo e ninguém está dando importância a isso, ressaltou. Segundo ela, a agropecuária ainda é muito desconhecida no País.
Se a gente não falar o que está sendo produzido no Brasil, ninguém fica sabendo. É preciso dizer que esse trabalho tem suor, prossegue. Ela admite que o cinema é abstrato para os empresários e ainda mais para os agricultores. A diretora pretende ainda conhecer a região de Prudentópolis (a 64 km a leste de Guarapuava). Quero entender melhor o Paraná, diz.
Gaijin 2 será falado em português, japonês, espanhol e também ucraniano ou polonês, e terá mais de duas horas de duração. Alguns nomes estão certos para a integrar a equipe do longa. A direção de arte terá a assinatura de Yurika Yamasaki (diretora de arte da minissérie Os Maias); o diretor de fotografia será Walter Carvalho (responsável pelas belas imagens de Central do Brasil); Egberto Gismonti foi convocado para fazer a trilha musical. A atriz japonesa Kyoko Tsukamoto, que interpretou Titoe no épico de 1980, volta a integrar o elenco. O filho da diretora, que estuda cinema nos Estados Unidos, conheceu o ator ítalo-americano John Turturro (Barton Fink), que se interessou pela história. Tizuka está traduzindo o roteiro para enviar para o ator. Yurika Yamasaki já está reunindo o figurino de época. A empresa Viação Garcia vai disponibilizar dois caminhões para trazer figurinos remanescentes dos filmes Tenda dos Milagres, de Nelson Pereira dos Santos, Gaijin, e Parayba Mulher Macho, ambos de Tizuka Yamasaki. Esse material será reaproveitado para a saga nipo-paranaense.
No total, cerca de duas mil pessoas entre atores, técnicos e prestadores de serviços estarão envolvidas nas filmagens. A realização de um filme reúne profissionais de várias áreas e movimenta a comunidade com a utilização de mão-de-obra direta e indireta. Para isso, a Secretaria Municipal de Cultura pretende fazer um link com Gaijin 2, promovendo oficinas direcionadas à produção do filme. Tizuka exemplifica o caso da maquiagem. Nas cenas em que são usados dezenas de atores e figurantes, necessita-se de uma equipe de maquiadores com conhecimento específico para cinema. As oficinas da Secretaria Municipal de Cultura visam a instrumentalizar profissionais direcionando as informações para trabalhar com a equipe de cinema.
Tizuka está na expectativa de que mais empresários paranaenses estabeleçam um compromisso com a cultura local e façam uso das Leis de Incentivos. Nos próximos dias, ela estará montando um escritório em Londrina. Por isso, mantém negociação com a Folha de Londrina/ Folha do Paraná para a utilização do barracão de propriedade da empresa localizado na Avenida Celso Garcia Cid. Espera-se que o local se torne o QG de Gaijin 2. Assim, os interessados poderão se informar pessoalmente com Tizuka Yamasaki sobre como investir no filme. Essa é uma visão moderna de investimento, ressalta.
Dos R$ 7 milhões do custo total do filme, falta ainda captar uma parte do dinheiro pela Lei do Audiovisual (R$ 2 milhões). Ainda não foram vendidas todas as cotas de merchandising para marcas de produtos destinadas a aparecer no filme. Gaijin 2 já conta com o patrocínio das seguintes empresas: Milênia, A. Yoshi Construtores, Construtora Vale Azul, Sementes Mauá, Sassazaki, Jacto, Banco do Brasil, Telebrás, BR Distribuidora, Turukawa, Acolchoados Maringá, Elco Engenharia, Empo Engenharia, Usina Santa Terezinha, Indústria Missato de Bebidas além de pessoas físicas. No apoio cultural estão a Folha de Londrina/Folha do Paraná, Ohara Palace, Binis Restaurante, Restaurante Kampai, La Francines Restaurante, Mitie Produções e a comunidade japonesa de Londrina, Maringá, Assaí e Curitiba. (Colaborou Sid Sauer, de Campo Mourão)


