Tika Tiritilli/DivulgaçãoO nó da trama é o horror do jovem ao perceber que aquela noite está repetindo a sequência de um sonho que tivera, no qual a prostituta o estrangulaPegue um pouco da linguagem de quadrinhos de ‘‘Sandman’’, acrescente uma pitada de Ingmar Bergman e seu filme ‘‘Vida de Marionetes’’ e ferva em fogo alto com o manguebeat de Chico Science. Partindo desta receita aparentemente desconexa, Dionísio Neto criou a sua ‘‘Perpétua’’, estréia de hoje na programação do 6º Festival de Teatro de Curitiba.
A peça é uma fábula futurista, que se passa em uma megalópole brasileira na madrugada do dia 12 de junho de 2007. Um jovem burguês comemora seu aniversário com uma prostituta - Perpétua - com a qual se relaciona há algum tempo. O nó da trama é o horror do jovem ao perceber, momento após momento, que aquela noite está repetindo a sequência de um sonho que tivera, no qual a prostituta o estrangula.
Durante o tempo que passam juntos, humor e tragédia se manifestam no questionamento da relação do casal, até a surpresa do final. O clima é reforçado pela trilha sonora de Arrigo Barnabé e pela violência física de algumas cenas (não é à toa que Renata Jesion usa cotoveleiras, joelheiras e munhequeiras durante todo o espetáculo - o figurino é muito mais uma questão de proteção do que propriamente de estética).
Essas adaptações ao figurino partiram da própria atriz. ‘‘Também incorporei peças como um sutiã e uma calcinha, que uso o tempo todo, nos ensaios e nas apresentações’’, diz Renata. Os figurinos foram concebidos pelo badalado Alexandre Herchcovitch a partir de seu acervo e de algumas criações novas. ‘‘É um figurino intrigante, mas simples e prático no seu jogo de esconde-revela’’, explica o estilista.
‘‘Perpétua’’ é o primeiro espetáculo da ‘‘Trilogia do Rebento’’, que ainda inclui ‘‘Opus Profundum’’ (também apresentada neste Festival) e ‘‘Desembestai’’. As apresentações acontecem hoje, às 21h30, e amanhã, às 20h, sempre no Guairinha. Ingressos a R$ 17,00 e R$ 10,00 para estudantes.

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