Futebol na cabeça
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sexta-feira, 10 de abril de 1998
Denise Mota Agência Folha 
ReproduçãoNo Brasil, o esporte nacional é tema de várias produçõesAntes mesmo de o Brasil dar o pontapé inicial contra a Escócia, na abertura da 16ª Copa do Mundo, em 10 de junho, as telas de cinema e televisão brasileiras já terão se transformado num cenário de batalha de 105 metros de comprimento por 68 metros de largura: o campo de futebol.
De casos triviais contados entre amigos em uma mesa de bar a uma narrativa puramente empírica da formação de um jogador, o esporte que introduziu no folclore nacional a catimba e o jogo de cintura é tema de produções em finalização no país.
Em 24 de abril, chega aos cinemas Os Boleiros, quinto longa de Ugo Giorgetti (Sábado), em que seis jogadores e um ex-juiz de futebol reúnem-se em um bar para contar histórias prosaicas do esporte. Filmado em dois meses, o filme traz o lateral-direito do Parma (Itália) Zé Maria, o meia são-paulino Luís Carlos e atores como Lima Duarte, Marisa Orth e Cássio Gabus Mendes.
O longa, segundo Giorgetti, 55, não trata de futebol, mas de um modo particular de ver o esporte. Fiz um filme sobre o meu futebol. Poucas coisas têm permanecido na minha vida, e uma delas é esse esporte, parte da minha identidade, afirma o cineasta.
Na televisão, em maio e junho, a Copa motiva a exibição de Futebol, documentário de João Moreira Salles, Arthur Fontes e Rudi Lagemann, que narra, em três histórias de 80 minutos cada, momentos diferentes da carreira de um jogador. Seguimos algumas pessoas por um ano. Quisemos mostrar que ser um atleta conhecido não é tão simples nem tão fácil como se pensa, diz Arthur Fontes, 34.
Futebol, em seu primeiro episódio, aborda o jogador em formação. A equipe do documentário acompanhou a peregrinação de Fabrício, garoto de 16 anos do morro do Alemão, no Rio de Janeiro, que, após tentar entrar em times juvenis do Flamengo e do Botafogo, foi aceito na equipe do São Cristóvão.
A segunda parte traz um atleta já filiado profissionalmente a um time. O personagem escolhido foi o jogador Lúcio, que veio do Goiás e foi para o Flamengo aos 21 anos. Para Fontes, ele é o herói do brasileiro médio, agora mora na praia, tem celular, carro importado. No último episódio, o documentário traça um perfil do ex-jogador, que vive dos feitos passados. Para essa fase, Futebol preferiu não optar pelos extremos do final da carreira: o sucesso ou o fracasso absolutos. Escolhemos o Caju (Paulo César Lima), da seleção de 70 e 74. Agora, ele é um cariocão de 49 anos que joga pelada na praia e vive do aluguel dos apartamentos que comprou, afirma o cineasta.
Os episódios são entremeados por depoimentos de veteranos do futebol, como Didi, Nilton Santos e Zagallo. Eles são nosso coro grego. Segundo Fontes, o projeto tem o objetivo de homenagear todos esses caras, que foram nossos astronautas, que levaram o Brasil para o exterior. Também em junho, estréia nos cinemas Uma Aventura do Zico, longa de Antonio Carlos da Fontoura (diretor de Copacabana Me Engana, de 68). Produzido por Lucy e Luiz Carlos Barreto, a ficção narra um duelo entre duas equipes de crianças, treinadas por dois Zicos: o original e um clone do jogador, criado por uma cientista maluca.
Um time aprende todas as técnicas do esporte, mas não cria jogadas novas. O outro grupo, treinado por um Zico fanfarrão, se especializa em lances criativos. No fim, o desafio das crianças, em pleno jogo decisivo, não é competir, mas unir os dois Zicos para formarem a equipe ideal: perfeita na técnica e abundante em inventividade.
Já Uma História de Futebol, média-metragem que participa de mostra itinerante em homenagem a Pelé, que deve percorrer diversas cidades francesas, sob organização da Fifa é dirigido pelo empresário Paulo Machline, com roteiro de José Roberto Torero e de Maurício Arruda, o filme narra a infância de Edson Arantes do Nascimento ao lado do amigo Aziz Adib Naufal, o Zuza, quando tinham dez anos. Filmado no interior de São Paulo, Uma História de Futebol descreve uma final de campeonato mirim entre os times Sete de Setembro e Barão da Noroeste, em 1950. Na trama, o média também recria a derrota do Brasil pelo Uruguai, na Copa de 50, quando a seleção perdeu por 2 a 1, no Maracanã.


