Marcelo AlmeidaUgo Giorgetti: o futebol representa a vida em seu extremo limiteO diretor de ‘‘Boleiros’’, Ugo Giorgetti, esteve na sessão inaugural da Cinemateca de Curitiba, acompanhado do ator Paulo Coronato. Ele saudou a nova casa declarando que ‘‘cinematecas são sempre bem-vindas. Quanto mais houver, mais chances você tem de ver filmes que não veria de outra forma. Ela não é mera repetidora de filmes, mas de suprir uma coisa que você não tem. Nesse sentido acho fantástico, bem-vindo’’.
Quanto ao filme ‘‘Boleiros’’, que narra o ocaso de um grupo de jogadores de futebol - e cada qual lembrando de fatos ocorridos no passado, sempre ligados a estádios, craques e jogos - ele é uma tentativa de mostrar ao público o outro lado da imagem do desportista. Apresentar ‘‘quem é essa gente que joga bola, que a gente vê no campo, e só. Por isso ele começa e termina num bar, que é a essência da conversa de futebol’’.
Quando o cineasta diz que ‘‘começa e termina num bar’’, é porque ali os velhos amigos se encontram para tomar cerveja e divertir-se com as histórias dos tempos em que eles próprios eram ídolos. Os episódios sucedem-se à medida que a conversa evolui. O roteiro está ancorado nessas pessoas que são seis ex-jogadores de futebol.
O futebol seria um reflexo da vida, uma grande ilusão? ‘‘Num certo sentido, sim’’, concorda o diretor. ‘‘Diria até que o futebol é uma metáfora correta, se quiser encarar por aí, do que é a vida. Porque ele termina mal, toda carreira termina mal.’’
Para Giorgetti, o futebol representa ‘‘a vida em seu extremo limite. Quer dizer, são dez anos de carreira e 30 anos para se lembrar dessa carreira. É tão cruel quanto a vida’’. Mas ao levar à tela a fugacidade do sucesso e da fama - perene apenas para uns poucos, e imenso fogo-fátuo para a maioria dos que desse brilho se aproximam - o cineasta compôs à sua maneira um canto de amor à arte que tanto aprecia. ‘‘O que procuro é o poema do futebol’’, revelou. Z.C.L.

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