Fusões rítmicas
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quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
É arriscado tentar apontar uma vertente hegemônica na música instrumental brasileira, tal a multiplicidade de referências que contaminam o gênero. O "Festival Kinoarte de Música Instrumental", porém, parece apostar em tendências dançantes em sua terceira edição, que começa amanhã e prossegue até domingo reunindo atrações locais e nacionais em Londrina.
Viabilizado em parte pela iniciativa privada e em parte por recursos públicos, o evento contará com shows da Orquestra à Base de Dedos, Cinemática, Aduba, Maniáticos do Reverb, Os Skrotes e Sambanzo. Todos, ou quase todos, investem em fusões rítmicas com apelos sacolejantes. "São bandas que trazem propostas musicais jovens e modernas", diz a cantora Gisele Almeida, idealizadora e coordenadora geral do evento.
A Orquestra à Base de Dedos abre o Festival amanhã, às 18h30, com um concerto gratuito na Concha Acústica. É a estreia do coletivo que reúne músicos dos grupos locais Cinemática, Duo Claves e André Siqueira Trio. A formação traz André Siqueira (violão, viola e guitarra), Emílio Mizão (guitarra), Filipe Barthem (contrabaixo), Leonardo Cacione (bateria), Duda de Souza (percussão), Gabriel Zara (contrabaixo), Mateus Gonsales (piano), Wesley Florêncio (saxofone) e Marcello Casagrande (marimba e vibrafone).
Também amanhã, às 21h, o Cinemática leva seu jazz-groove para o palco do bar Valentino. Na sexta-feira, às 16h, André Siqueira conduz um workshop de improvisação na Vila Cultural Kinoarte. Na sequência, às 18h, ocorre uma jam session com músicos participantes do festival seguida de discotecagem.
No sábado, a Vila Cultural recebe shows das bandas locais Aduba e Maniáticos do Reverb, além da catarinense Os Skrotes. Esta última, de Florianópolis, toca pela primeira vez na cidade. É formada pelos músicos Chico Abreu (baixo), Igor De Patta (teclado) e Guilherme Ledoux (bateria). Depois de lançar dois EPs, prepara o lançamento de seu primeiro álbum, intitulado "Nessun Dorma" ("Ninguém Dorme" em italiano) em referência à ópera homônima de Puccini.
Estão previstos lançamentos em CD e vinil através do esquema crowdfunding, projeto de financiamento coletivo e colaborativo de fãs. O single "Baixa Ajuda" já foi disponibilizado na internet e virou videoclipe. O som do grupo é inclassificável: uma mistura caótica de jazz, clássico, rock e música brasileira.
Outra atração "de fora" é a banda Sambanzo, de São Paulo, que fecha a programação no domingo tocando na festa "Barbada", do bar Valentino. O grupo é liderado pelo saxofonista Thiago França, músico bastante requisitado na cena paulistana com participações em discos e shows de nomes como Criolo, Céu e Rômulo Fróes. Ele já havia gravado um disco solo há três anos, "Na Gafieira", e agora lança o primeiro álbum à frente do Sambanzo. Intitulado "Etiópia", o disco traz um repertório multi-rítmico em que o samba e batidas afro convivem com latinidades e improvisações jazzísticas.
A organizadora do festival explica que fez mudanças na estrutura do evento com o objetivo de atrair fatias segmentadas de público. "Percebemos que muita gente deixa de ir a shows por causa de horários, ambiente e preço dos ingressos. Desta vez, conseguimos patrocínio da Sanepar e apoios do Ministério da Cultura e da Secretaria de Estado da Cultura, o que garantiu os cachês dos artistas permitindo uma redução no valor dos ingressos. Também marcamos shows em dias e horários acessíveis para o maior número de pessoas, evitando shows em bares no meio da semana, como fizemos nas duas edições anteriores. Outra novidade é que a Vila Cultural Kinoarte é um espaço atrativo para toda a família, em que os pais podem levar os filhos e vice-versa. Enfim, essa edição foi pensada para atender vários tipos de público. Queremos aperfeiçoar cada vez mais o formato para fazer parte do calendário cultural de Londrina", salienta.
Confira a programação do evento.


