Todo mundo que é cristão aprendeu desde pequeno que Lúcifer é o inimigo de Deus, é o responsável por tudo de errado que acontece no mundo. Na série de quadrinhos ''Sandman'', porém, o lorde do inferno é humanizado, é apenas um serviçal, responsável por um trabalho que ninguém quer. Essa visão curiosa agradou os leitores e o personagem ganhou um título próprio, que deu origem ao espetáculo ''Lúcifer - Estrela da Manhã'', em cartaz na Capital.
''O Lúcifer é um anjo que faz o trabalho sujo para Deus. Ele não é o inimigo. É um trabalho maculado, que causa sofrimento, mas que é necessário. A própria definição da Bíblia também mostra que o Lúcifer é mais ou menos isso'', explica o escritor Paulo Rodrigues, que demorou nove meses montando a peça, a partir da série de quadrinhos da DC Comics e de livros da cabala e ocultismo. O espetáculo da Cia. Anônimus de Teatro tem direção de Marcelo Corrêa, com Claudia Zanca e Órli Carrara.
Na saga ''Estação das Brumas'', de ''Sandman'', Lúcifer decide fechar as portas do inferno para abrir um piano-bar em Los Angeles. A peça parte desta premissa, que tem a presença de um anjo enviado para a Terra para descobrir a razão de Lúcifer ter decidido ''mudar de profissão''. A trama original por si só já é provocativa e Raniari afirma ter mantido a proposta, sem, no entanto, deixar de respeitar as crenças do público. ''A gente tinha um pouco de medo da reação das pessoas, pensamos em trocar o nome da peça. Mas no fim decidimos manter justamente para causar a discussão, para quebrar paradigmas.''
''Para os mais ortodoxos fica difícil ter essa visão do personagem, mas para mim, minha cunhada foi uma espécie de termômetro. Ela é bastante católica, bem beata mesmo, e viu a peça e gostou, entendeu que não é uma apologia ao mal, muito pelo contrário. É claro, todo mundo pode achar o que quiser, gostar ou não, mas por enquanto não houve nenhuma reação contrária'', assegura Raniari. A peça deve voltar para uma nova temporada a partir de novembro e certamente estará também presente na mostra Fringe do Festival de Curitiba de 2010.
Serviço
Quando - Sexta e sábado, 21h (última semana em cartaz)
Onde - Teatro Cultura (Praça Garibaldi, 39), em Curitiba
Quanto - R$ 20 e R$ 10 (meia)
Mais informações - (41) 3224-7581

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