FUSÃO DE RITMOS O bardo da voz rouca e seu som peculiar
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quinta-feira, 24 de abril de 2008
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O bardo da voz rouca está de volta. Há três anos, o cantor e compositor paulistano Edvaldo Santana esteve em Londrina a convite do festival literário Londrix. Hoje, às 18h30, faz show ao ar livre abrindo a temporada 2008 do projeto ''Sexta na Concha'', na Concha Acústica, centro da cidade.
Na bagagem, ele traz o repertório de seu último CD ''Reserva de Alegria'', além de canções de seus quatro discos anteriores. Será um show acústico. No palco terá a companhia dos músicos Luiz Waack (guitarras elétrica e portuguesa) e Ricardo Garcia (congas e bongô).
O artista construiu uma obra peculiar que se distingue na música popular brasileira pela fusão original de ritmos como blues, reggae, samba, choro e música latina. A seguir, leia entrevista com Edvaldo Santana.
O que você vai cantar hoje?
A base do show é o repertório de meu último disco, ''Reserva de Alegria'', lançado em 2006. Mas não vou deixar de cantar músicas dos quatro trabalhos anteriores, porque o pessoal sempre pede canções como ''Lobo Solitário'', ''Cachimbo'' e ''Samba do Trem''.
Você vem com a banda completa?
Vou levar uma formação de trio. Eu na voz e violão, o Luiz Waack nas guitarras elétrica e portuguesa e o Ricardo Garcia na percussão. Será um show acústico, mas com muito ritmo e suingue.
O ''Reserva de Alegria'' foi elogiado pelos críticos, escolhido um dos três melhores álbuns de MPB pelo Prêmio Tim, além de ter sido indicado na categoria CD Independente ao Prêmio Dynamite/Toddy. A que você atribui essa recepção? O que esse disco traz que os outros não traziam?
Nesse disco, a maioria das faixas é de minha autoria. Só tem duas parcerias. É um trabalho de música popular brasileira com forte pegada latina e elementos de reggae e do jazz e do blues americanos. Mas não é igual a um disco do Santana. Tem muita coisa de samba, bolero, ritmos nordestinos e de outras influências que recebi do meu pai. Tem também hip hop através da parceria com Thaíde e a participação do Rappin' Hood, o que levou meu trabalho para as rádios especializadas em rap.
Como você avalia as diferenças entre o disco de estréia ''Lobo Solitário'' e o ''Reserva de Alegria''?
Houve um amadurecimento. O som, o conceito, a gravação, tudo vai melhorando com o tempo. Vamos percebendo que não precisamos inventar muito, que poucos acordes dão mais resultado do que 30 notas juntas. Passamos também a valorizar os instrumentos envolvidos e a ter mais cuidado com a tonalidade, aprendendo que não precisamos cantar gritando. A gente é meio um diamante meio bruto. O que temos que fazer é potencializar a originalidade. E na parte da letra, aprendo cada vez mais com os poetas concretos, Paulo Leminski, Glauco Matoso e outros. Vejo que amadurei, mas não broxei (risos). Acho que se arte não me motivar, eu paro. A arte cobra, obriga você a se dinamizar, a se aperfeiçoar.
Você acredita na sobrevivência do CD? Como você está encarando a crise da indústria fonográfica?
O artista precisa sobreviver, precisa comer para continuar criando, precisa se alimentar física e espiritualmente. Então, ele precisa buscar alternativas. E o show é e sempre foi um trunfo do músico, desde a época dos antigos trovadores que iam para as ruas de encontro ao público. No meu caso, como minha postura sempre foi de artista independente, nunca dependi de gravadora ou ganhei dinheiro com venda de disco. O que eu recebo é de direitos autorais de execução. Acho difícil esse negócio de legalização de downloads, que é um fenômeno incontrolável. Aliás, a tecnologia atual está propiciando uma difusão que os artistas independentes nunca tiveram. Não sou de ficar reclamando. Estou na batalha tocando o barco.


