FÚRIA EXPERIMENTALISTA
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de outubro de 2000
Nelson Sato De Londrina 
Berimbaus, enxertos de reggae e rap, homenagem a Chico Science e até vocais femininos se apresentam no novo disco de Max Cavalera.
Primitive, segundo álbum de sua banda Soulfly, tem empolgado a crítica internacional desde seu lançamento no exterior no começo do mês. De Kerrang! a Rolling Stone, a recepção tem sido generosa nas publicações, motivada talvez pela estética tribal apregoada pelo ex-vocalista do Sepultura.
Gringos adoram adereços exóticos. E Max os serve em baldes ao longo das 16 músicas, quatro delas faixas-bônus, incluindo duas ao vivo. Para produzi-las, ele convocou Toby Wright, que já trabalhara com as bandas Korn e Alice in Chains. O disco traz climas variados a cada faixa.
Max é ambicioso. Parece viver em permanente confronto com a pasmaceira do metal. Desde Roots (1996), último álbum oficial gravado com o Sepultura, ele persegue a fusão de agressividade com variações rítmicas e pesquisa de timbres.
No novo material, encontra a melhor solução em Mulambo, inspirada em Chico Science e que mescla versos em inglês e português citando Che Guevara, Zapata e Zumbi. Surpreende em outras faixas, como em Flyhigh onde a barragem de distorção é quebrada pelos vocais r&b (!) da desconhecida cantora Asha Raboin.
Paga micos, porém, ao cortar abruptamente a nervosa Bring it com levadas de reggae e inserir um longo trecho de rap cantado pelo grupo Cut Throat Logic em In Memory of.... Sugerem incursões oportunistas, escorregões num repertório que não poupa pancadaria, como mostram especialmente as faixas Back to the Primitive, Booth e The Prophet.
O disco traz vários participantes. O chatinho Sean Lennon não fica menos chato dividindo os vocais em Son Song. Tom Araya, do Slayer, canta e toca em Terrorist, cuja letra empresta frases de músicas do Sepultura (Inner Self) e do Slayer (Criminally Insane).
Chino Moreno (do Deftones), Grady Avenell (Will Haven), Meia-Noite (percussionista de Sérgio Mendes) e Larry MacDonald (percussionsita de Gil Scott-Heron) também dão canjas aqui e ali. Completa o elenco de colaboradores o artista gráfico Neville Garrick, que fez a capa ele assinou as capas da maioria dos discos de Bob Marley.
Max Cavalera é um dos pilares do novo metal. Sua afoiteza experimentalista ainda vai fornecer um clássico ao gênero. Não foi desta vez.


