Furacão de Oklahoma canta hoje em Barretos
ReproduçãoGarth Brooks: Eu quero fazer música. Se eu fizer bem, o resto dá conta de si mesmoFuracão deOklahoma canta hojeem Barretos
O megastar country Garth
Brooks é a grande
atração de hoje na
Festa do Peão Boiadeiro
Ricardo Bairos
Planet Pop-AE
O maior fenômeno da country music nos Estados Unidos toca hoje na Festa do Peão Boiadeiro de Barretos, interior de São Paulo, para 45 mil pessoas. Garth Brooks, que vendeu cerca de 80 milhões de discos em sua carreira (perde apenas para os Beatles, com 105 milhões), vai apresentar no Brasil o show de sua atual turnê norte-americana, que começou em 13 de março de 1996, em Atlanta, na Geórgia, e deve terminar daqui a dois meses - até agora, já viram a apresentação 4 milhões de pessoas. No meio tempo, ele lançou o disco Sevens (EMI), que levou para as paradas de sucessos canções como Two Pi¤a Coladas, In Anothers Eyes (dueto com Trisha Yearwood) e I Dont Have to Wonder.
O show brasileiro vai ter provavelmente, segundo ele, o mesmo repertório do apresentado na semana passada em Las Vegas, no estado de Nevada - por quatro noites, no Thomas & Mack Center, para um total de 72 mil pessoas. Vai ser 90% de coisa velha, diz o cantor no início do show. A seguir, emenda com o hit American Honkey Tonk Bar Association. Há também composições novas, que ainda não estão em nenhum álbum, como Wild as the Wind, com a participação de um coral, e Its Your Song, canção que ele dedica para sua mãe. O estado de saúde dela, que está em tratamento contra o câncer, vai abreviar a permanência do Furacão de Oklahoma no Brasil. Em 17 de novembro chega às lojas dos Estados Unidos o novo trabalho dele, um álbum duplo com gravações ao vivo. Leia a seguir a entrevista dada pelo músico à Planet Pop.
Como vai ser o show em Barretos?
Garth Brooks - Infelizmente a gente não vai levar todo o equipamento de palco para o Brasil, porque seria impossível trazer tudo de volta a tempo dos outros shows aqui. É uma pena. O show vai ser mais parecido com o do Central Park, aberto, com platéia apenas na frente (geralmente o palco fica no meio da arena em sua turnê atual), o que é muito estranho para a gente. Vai ser difícil se acostumar com isso. A gente também pede muito em termos de participação do público... Se as pessoas forem para lá com o objetivo de se divertir, tenho certeza de que vão conseguir. Toda vez em que eu toco em algum lugar novo não sei muito bem o que fazer. As músicas vão ser as mesmas.
Como você mesmo disse, o show nos Estados Unidos têm muita participação da platéia, você fala o tempo todo com todo mundo. Como espera contornar o problema de tocar em um lugar onde as pessoas não dominam o inglês?
Garth Brooks - Vamos ver. A primeira coisa que eu tenho de descobrir é quanto de inglês as pessoas entendem. Se não entenderem muito, as conversas não são a coisa certa a ser feita. O que é bacana, que eu descobri em shows na Alemanha, na Espanha, países em que o povo não fala inglês, é que a comunicação fica aqui (aponta para o rosto).
Morreu no ano passado no Brasil o cantor Renato Russo, que fez covers de The Dance e If Tomorrow Never Comes, duas de suas canções mais conhecidas. Você já tinha ouvido falar dele?
Garth Brooks - Não, que ótimo. Excelentes escolhas, são duas baladas muito fortes. Eu fico lisonjeado. The Dance é muito bonita, minha canção favorita.
Você está entusiasmado com o show no Brasil?
Garth Brooks - Estou mais nervoso do que qualquer outra coisa. É a primeira vez... Depois de cantar duas músicas tenho certeza de que o nervosismo vai passar e vou chegar à conclusão de que as pessoas querem apenas se divertir. Nas minhas primeiras viagens para lugares diferentes, estudo muito. Se for chamado para voltar, é aí que consigo me divertir. Vai ser um monte de adivinhações. Espero que a gente adivinhe mais certo do que errado. Eu vi algumas fotos de Barretos! As pessoas... É igual a Oklahoma! A maneira como elas se vestem, é tudo parecido com a minha terra. Se for tudo assim mesmo, vai ser a segunda vez em que fico surpreso com uma coisa dessas. Montreal foi a primeira: um monte de fazendeiros canadenses de chapéu, foi realmente esquisito. Estava em meu próprio elemento.
Por que você e os outros integrantes da banda correm tanto, para todos os lados do palco, nos shows?
Garth Brooks - A filosofia é a seguinte: em meus shows, o cara que está lá em cima na arquibancada paga a mesma coisa que a pessoa que está mais perto. Então é importante movimentar-se para todos os lados, para que todo mundo sinta-se na primeira fila. Há menos pressão sobre mim. O meu papel de entertainer está dividido entre outras sete pessoas (os outros integrantes da banda). A luz, os elevadores do palco, tudo é entretenimento. Tem gente que adora as coisas técnicas. Tem caras que estão por lá porque a namorada levou. Há outras coisas a que eles podem assistir. Não fico ofendido com isso, porque já fui parar em shows nos quais não queria ter ido.
Sua música soa muito como rock-and-roll às vezes. Você aposta mesmo no cruzamento de outros ritmos com o country?
Garth Brooks - Eu acho que a música country é muito mais abrangente do que muita gente pensa. O country tem um lado tradicional que todo mundo conhece, com um som mais honky tonk, mas há também o que tem uma cara mais pop e o cowboy rock-and-roll, que é muito mais pesado e barulhento, com letras quase sempre sobre rodeios e a vida dos caubóis. Eu acho que é abrangente e a gente faz um pouco de tudo. Das coisas mais tradicionais a gospel...
E até alguma coisa que parece com Chuck Berry, não?
Garth Brooks - Com certeza, Aint Going Down (Til The Sun Comes Up) (imita o som da guitarra).
O que mais vocês pretendem fazer no Brasil?
Garth Brooks - A gente iria ficar no Brasil cinco dias, mas não sei se vocês sabem sobre a minha mãe. Ela começou sua terceira batalha contra o câncer. A gente vai da Costa Oeste para lá, chega na noite anterior ao show e sai no dia seguinte da apresentação. Não vai aproveitar tanto a América do Sul, nem a América do Sul vai pegar a gente em um momento muito bom, por causa de tudo isso. Eu quero voltar logo ao Brasil, para aproveitar mais. Desta vez é tão rápido que nem vai ser possível dar uma olhada direito. O que eu quero é que as pessoas saibam que sou muito americano. Não sei quase nada sobre a América do Sul, não quero enganar ninguém. Quero apenas tocar minha música e ver o que acontece.
O que você quer fazer depois do final da turnê, daqui a dois meses?
Garth Brooks - Boa pergunta. A princípio, planejo tirar um ano de férias. Desta vez, tudo relacionado com a gente fecha: a revista do nosso fã-clube, a Believer, o escritório... Por dez anos, a gente não parou. Eu fiquei longe do negócio todo por um ano e meio, por volta de 1994, mas todo mundo trabalhou sem parar. A gente trabalha muito, mas nem sei se posso chamar isso de trabalho. Eu já coloquei telhados em casas, trabalhei em estações de tratamento de esgoto, o que faço agora não é trabalho, porque já trabalhei mesmo antes. O show toma muito do nosso tempo, mas não é trabalho duro.
Você tem planos de realizar alguma coisa no cinema? Não há o projeto de The Lamb, o roteiro de um filme sobre um músico de pop-rock e os efeitos de sua música no mundo?
Garth Brooks - Parece o próximo passo mais adequado, mas ainda não sei. Temos um escritório que produz filmes e começamos a fazer The Lamb com a Paramount Pictures. Há também um filme especial feito para a TV, que deve ser exibido apenas no Natal do ano que vem, chamado The Colors of Christmas. As coisas têm começado, mas sinceramente não sei se tenho a mesma paixão pelo cinema que tenho pela música. Vamos ver.
Você pretende atuar?
Garth Brooks - Não sei. Se for bom para o filme, eu vou. Mas já fizeram mais de 7 milhões de filmes sem mim (risos), acho que não deve ser uma coisa que eles estão aguardando ansiosos, digamos assim.
Seus fãs são dos mais histéricos do pop. Eles gritam como adolescentes!
Garth Brooks - Todo mundo tem uma criança dentro de si. E este é um dos lugares em que esta criança pode correr, ser livre. Alguém que não fica em pé e grita, com certeza faz isso nos shows, porque vê que é ok. Você não vai parecer um bobo, faça o que quiser. Por duas horas, as pessoas esquecem todos os problemas que estão na cabeça delas e eu sinto que fiz meu trabalho. No show, apenas deixe rolar, seja egoísta e aproveite! É o que eu quero que as pessoas que vão ver a gente no Brasil façam: escondam-se do mundo por duas horas e divirtam-se.
A resposta do público ao show é muito impressionante. Dá para perceber que você fala mesmo diretamente ao coração de todo mundo, aos sentimentos.
Garth Brooks - Eu não sei por que eles fazem o que fazem, por que sempre aparecem... Eu sou um dos que está convencido de que é tudo um grande equívoco e daqui a pouco todo mundo vai descobrir. Não sei por que eles escolhem a gente, e todos estes números de vendas...
Você tem mesmo um plano de tornar-se o artista com a maior vendagem de discos da história da música pop?
Garth Brooks - Eu quero fazer música. Se eu fizer bem, o resto dá conta de si mesmo. Será que vou querer ser lembrado como o que vendeu mais discos do que qualquer outro ou pelo que The Dance diz, ou pelo que If Tomorrow Never Comes diz?





