A big band Funk Como Le Gusta é capaz de arrancar aplausos até de um poste. Seu disco de estréia, ‘‘Roda de Funk’’, está sendo relançado pela gravadora Trama depois de uma temporada em que circulou pelas lojas chancelado pela ST2 Records.
A primeira versão saiu no final de 99, quando a palavra ‘‘funk’’ sequer frequentava debates acalorados em páginas de jornais, programas de TV e conversas de bar. Mas só quem jamais ouviu a banda confundiria seus grooves vibrantes com o pancadão carioca que invadiu a mídia no último verão.
Funk Como Le Gusta é de São Paulo. Toca funk, samba-rock e ritmos latinos genuínos. Seu repertório é basicamente instrumental. Há meses vem lotando as quartas-feiras da choperia do Sesc-Pompéia, na capital paulista. Tornou-se um dos expoentes da atual revitalização da black music.
‘‘Existe um movimento envolvendo vários artistas que parece reciclar os anos 70. A gente, de fato, traz influências de grupos e artistas do período como Earth, Wind & Fire, Koll & The Gang e Erlon Chaves. Mas não estamos tentando reviver aquele momento. Não temos equipamento de época, não usamos calças boca-de-sino e nem cortamos os cabelos no estilo black-power’’ – explica o guitarrista e produtor Bid.
A banda tem 13 integrantes incluindo uma cozinha rítmica e um naipe de metais sem paralelos no país. A vocalista Paula Lima acaba de lançar seu primeiro álbum-solo com produção de Max de Castro. O próprio Bid dá os últimos retoques em seu disco de estréia. ‘‘Roda de Funk’’, por sua vez, continua conquistando novos simpatizantes à proposta dançante e orquestral do grupo. As faixas foram gravadas como se fossem um show sem público.
‘‘Ficamos um mês dentro do estúdio’’ – conta Bid. ‘‘Gravamos ao mesmo tempo e ao vivo. Se alguém errava, voltávamos ao início da música para começar tudo de novo. A idéia era reproduzir a vibração e energia dos shows, como nossos mestres faziam nos anos 70’’. Da mesma forma, convidaram vários artistas para participar do trabalho repetindo as canjas de palco, comuns nas apresentações da banda.
Fernanda Abreu, Sandra de Sá, Banda Mantiqueira e Black Alien são alguns dos nomes presentes aqui e ali ao longo do repertório. ‘‘O funk sempre foi diversão, agregação de amigos’’ – define Bid. Além das 13 músicas originais, a reedição do CD inclui a faixa-bônus ‘‘16 Toneladas’’, uma versão de ‘‘Sixteen Tons’’, de Merle Travis, gravada por Noriel Vilela e que virou hit nos shows do Le Gusta.
A embalagem também foi trocada. Se antes a capinha era de papelão, agora chega às lojas em papel acrílico.

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