Fundação Cultural quer instalar a arte no Bairro Rebouças
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2002
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - ''O ensaio é sábado à tarde, lá em casa.'' Quem tem um grupo de teatro, banda ou qualquer projeto artístico que dependa de encontros furtivos sabe muito bem o que significa essa convocação. A necessidade de dividir instrumentos musicais, objetos cênicos e outras parafernálias com móveis (e rotina) domésticos, no entanto, pode chegar ao fim. Um projeto da Fundação Cultural de Curitiba (FCC) vai patrocinar grupos artísticos ou companhias que se instalarem no Bairro Rebouças. O Projeto Residências Culturais no Novo Rebouças vai ter duração de um ano. Nesse período, as companhias que se classificarem no concurso aberto pela fundação vão receber uma verba mensal para desenvolverem projetos em sua área de atuação.
Serão selecionados 12 grupos. Quatro na área de artes cênicas; dois na área de música; um de mídia eletrônica; dois de artes visuais; dois de audiovisual e um projeto que não se inclua em nenhuma dessas cinco áreas. Para cada projeto de artes cênicas e mídia eletrônica, serão destinados R$ 6 mil mensais num total de R$ 144 mil anual. Para música, o valor mensal será de R$ 4,5 mil, totalizando R$ 54 mil ano. Os projetos de artes visuais receberão, cada um, R$ 4 mil mês, que resulta em R$ 48 mil por ano. Para audiovisual, o valor será de R$ 5 mil mensais, ou seja R$ 60 mil por ano. As outras áreas, terão apoio de R$ 3 mil por mês, resultando em R$ 36 mil.
O diretor de Ação Cultural da FCC, Leandro Knophfolz, explica que o projeto faz parte do processo de revitalização do Novo Rebouças, já iniciado com a restauração do Moinho Novo Rebouças, e vai integrar o calendário oficial da Capital Americana de Cultura. ''O título passa, mas é importante que os projetos fiquem'', diz Knoplholz. Ele apresentou a proposta anteontem, para um seleto grupo de artistas convidados para a abertura oficial do edital. ''Os artistas antecipam tendências e a idéia é que eles desenvolvam os projetos nas residências e ofereçam uma contrapartida para a comunidade'', explica.
Os critérios de seleção, conforme ressalta o diretor, aliás, serão focados nessa contrapartida. Os grupos terão que manter suas sedes abertas à comunidade, em visitas monitoradas pela fundação. O comissão julgadora será composta por jornalistas de fora do Estado, mas a fundação ainda não definiu os integrantes. Os grupos terão até 20 de janeiro para apresentarem as suas propostas.
''É um projeto interessante, já que a maior dificuldade das companhias é justamente manter uma sede'', define a produtora da Cia. Senhas de Teatro, Márcia Moraes. A companhia chegou a alugar um barracão para ensaios para montar a consagrada peça Alencar, em 1999, mas não manteve o espaço por falta de verbas. de lá para cá tem desenvolvido projetos periódicos e vem ensaiando em locais emprestados ou alugados com a verba de projetos de incentivo.
Atualmente, as companhias, em qualquer área de atuação, dependem quase que exclusivamente das leis de incentivo à cultura para montar um espetáculo ou uma exposição. ''A cada fim de projeto a gente entra em crise'', observa Márcia. Para ela, no que diz respeito à necessidade de dar continuidade aos trabalhos, o projeto da fundação é bastante vantajoso.
Os grupos terão que escolher imóveis de, no mínimo, 100 metros quadrados na região do entorno do Moinho Novo Rebouças. A área delimitada compreende o polígono das Ruas Getúlio Vargas, partindo da Rua Desembargador Westphalen até a Rua Conselheiro Laurindo, à direita, encontrando a Avenida Engenheiro Rebouças e logo entrando na Rua Iapó. Na direção sul, as ruas Jóquei Clube e João Viana Seiler também fazem parte do eixo.
Os imóveis podem ser próprios, alugados ou emprestados, desde que estejam no eixo determinado. A verba pode ser utilizada para reforma do espaço, mas a fundação vai dar prioridade aos projetos desenvolvidos no local. Uma dúvida dos artistas que participaram do lançamento do edital é se os artistas paranaenses serão preteridos em relação aos artistas de fora, já que o concurso é nacional. A fundação explica que será julgado a proposta do grupo, independente da sua origem. Maiores informações podem ser obtidas pelo telefone (0xx41) 321 3300.


