Fundação Cultural exporta arte brasileira
A fotografia brasileira vai respirar ares europeus. Acordos mantidos pela Fundação Cultural de Curitiba possibilitarão, de início, que o trabalho de Cláudia Andujar - registros sobre os índios ianomamis - seja visto inicialmente na cidade de Braga (Portugal), seguindo mais tarde a Paris e Roma. Também estão sendo acertadas três exposições na Alemanha, para as cidades de Bonn, Munique e Berlim.
Margarita Sansone, secretária municipal de Curitiba, anunciou também a vinda, nos próximos meses, de duas importantes exposições - de Pierre Verge e Lartige. No Brasil as mostras percorrerão duas capitais além de Curitiba: São Paulo e Rio de Janeiro.
Os projetos desenvolvidos pela FCC, segundo Margarita, são mais amplos. Um exemplo é o CD que a Camerata Antiqua de Curitiba deverá gravar em Los Angeles, dentro das atividades dos 500 anos de descobrimento do Brasil, além do disco que está em fase de produção, com obras de Haendel, comemorando os 25 anos da orquestra.
A secretária conta que durante suas férias no mês de março - não saiu antes devido aos compromissos da pasta -, ela e o ministro Rafael Greca tiveram contato com os executivos da Warner Brothers, que se mostraram interessados na gravação de um álbum comemorativo ao quinto centenário brasileiro. A Camerata abrangeria o repertório quinhentista, para dar os tons e as cores da cultura do colonizador.
Já a Orquestra de Câmara de Curitiba complementaria com a música brasileira, através de Villa-Lobos, Brasílio Itiberê, Mignone, Guerra Peixe, entre outros expoentes nacionais. A tiragem da edição seria volumosa, imagina Margarita Sansone. De acordo com o pessoal da Time/Warner, somente para distribuição entre a clientela brasileira, seria preciso um mínimo de 40 mil CDs.
Estamos tentando amarrar isso com a Embratur para ter um custo menor de passagens. O custo de hotéis e gravação, correria por conta da Warner Brothers, e a Fundação Cultural de Curitiba entraria com a orquestra. À parte, estamos negociando uma nova edição dos vocais Brasileirão e Brasileirinho, explicou.
A idéia é tornar o álbum dos 500 anos mais gordo e mais bonito, com maior amplitude de gêneros, abrangendo a música erudita e popular nos seus vários segmentos. Transportar as crianças para Los Angeles é inviável, mas busca-se uma saída para a questão. Esse não é dos maiores problemas - Margarita e o ministro têm outros pela frente, como negociar os bilhetes aéreos a preços mais em conta para os músicos. Enfim, a expectativa é de que o projeto esteja concretizado até o mês de outubro.
Teatro e artes plásticasNesse balanço informal de atividades, Margarita citou o incentivo a cinco grupos de teatro locais, que passarão a ocupar espaços cênicos municipais por seis meses, a partir de 1º de abril. Os escolhidos concorreram ao edital aberto à categoria. Sempre foi desejo da classe ter um espaço onde pudesse desenvolver um trabalho mais aprofundado, comentou o assessor Edson Bueno.
Das cinco companhias, quatro são veteranas. A Casa Vermelha ficará com Os Satyros; o Teatro Novelas Curitibas com o Grupo Onírico de Teatro (no primeiro semestre) e depois pela Confraria Cênica; o auditório Antonio Carlos Kraide com a Usina das Artes e o Teatro Cleon Jacques com o grupo Espaço Cênico
Esses endereços serão ocupados em tempo integral, com intensas atividades como workshop, palestra, oficina, além dos espetáculos produzidos pelos grupos. É uma coisa nova em Curitiba, porque o projeto vai além da simples apresentação de peças, comentou Bueno.
A Fundação Cultural entrará com a infraestrutura administrativa, de programação visual, luz, som e as companhias com o fazer. Não vejo essa iniciativa como paternalismo, mas como uma parceria, continuou. Virão trabalhos de peso, porque as companhias que ganharam trazem na liderança gente muito séria: Marcelo Marchioro, Fátima Ortiz, Cleide Piasecki, Rodolfo Garcia Vasques, Eugênio Gielow.
Este ano acontecerá a 12ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba, que acontece a cada dois anos. A última edição não foi bem uma bienal, no entender de Margarita Sansone, e sim um espaço de reflexão sobre a arte. Depois da reflexão, o evento em si.
A secretária conta que está em negociação para trazer Paulo Heikenhoff, um dos melhores curadores do mundo, que em 1992 foi também da nossa bienal. O curador, cujo último importante trabalho no Brasil foi a Bienal de São Paulo, trabalha para o Moma, de Nova York, e como é um hábil negociador, deverá auxiliar os promotores na obtenção de recursos. Não só ele - Margarita avisa que está na ativa, e nos próximos dias baterá na porta do Ministério da Cultura, em busca de patrocínios. Realista, ela não pensa em quantias muito altas para o evento. O formato básico será de R$ 350 mil, comentou em sua visita à Folha.





