Uma nova forma de ocupação dos espaços cênicos da Fundação Cultural de Curitiba agrada em cheio a classe artística. Espelhada no que acontece há algum tempo no Rio de Janeiro, a Fundação libera um edital regulamentando a ocupação de quatro de seus teatros.
Segundo o edital, cada companhia teatral poderá administrar o espaço durante quatro meses. Nesse período, o grupo deverá apresentar mais de um espetáculo simultaneamente, abrir horários alternativos e promover cursos e oficinas na área teatral. Os interessados podem retirar o regulamento até o dia 26 de fevereiro na sede da Fundação Cultural, das 9h às 12h e das 14h às 18 horas.
‘‘Achei fantástica a iniciativa porque, em Curitiba, assim que uma peça emplaca, o grupo tem de entregar o teatro e para alugar espaços é muito caro’’, reconhece a atriz Ana Brito. Para ela a fixação do grupo num local é importante para criar um referêncial para o público. ‘‘Se a peça roda muito não há como manter a atenção.’’
Ana Brito está na equipe do diretor de Mandrágora, Eugênio Gielow. O grupo concorre a um dos teatros para apresentar quatro peças: a reapresentação de ‘‘A Mandrágora’’, de Nicolau Maquiavel; ‘‘A Velha Cômoda’’, que está no fringe do Festival de Teatro e é uma tradução do texto de Frei Fidelis; e ‘‘A Noiva Secreta’’ e ‘‘A Menina que Pisou no Pão’’, ambas de Eugênio Gielow. Desta forma e com cursos e oficinas, Ana analisa que haverá possibilidade de superutilização de todas as dependências de um teatro.
Da mesma forma, a produtora Regina Vogue diz que a idéia é ‘‘interessante’’. ‘‘O sofrimento é igual para todas as companhias, que quando estão fazendo sucesso têm de deixar o espaço. O Guairinha, por exemplo, jamais dá dois meses para uma peça’’, reforça.
‘‘Bobo quem não aproveitar’’, dispara o produtor e coordenador da Cinemateca de Curitiba, Paulo Biscaia. ‘‘Este projeto está sendo discutido há vários meses e vai ajudar bastante os grupos a trabalharem. Toda comunidade será beneficiada. Os projetos poderão ser mais sólidos e não efêmeros como vinha acontecendo’’, reconhece.
Em contrapartida, o produtor Ivan Cabral da Companhia Satyros acha que, mesmo a idéia sendo excelente, não vale a pena por menos de um ano. ‘‘Em Curitiba há falta de espaço para temporadas longas. O projeto perde todo o sentido por menos tempo.’’
Comunga da opinião de Ivan Cabral, o produtor Marcelo Marchioro, da Companhia Usina das Artes. ‘‘Para um projeto abrangente como foi o que o nosso grupo realizou no Novelas Curitibanas com dois espetáculos, workshops, ensaios abertos e apresentação de vídeos, não é possível com menos de um ano’’, garante.
Marchioro diz que o projeto é uma reivindicação antiga da classe e que é muito bom a Fundação ter resolvido dessa forma. ‘‘Só lamento, o pouco tempo para as produções maiores, com desenvolvimento de uma lógica de repertório, montagem de oficinas e promoções para o público.’’
O programa da Fundação, chamado de ‘‘Na Companhia do Teatro’’, estabelece condições de uso do teatro Novelas Curitibanas, Auditório Antônio Carlos Kraide, Teatro Cleon Jacques e Casa Vermelha, para os períodos de 1º de abril a 31 de julho, e de 1º de agosto a 30 de novembro.
A Fundação tem outros espaços culturais que não seguem a exigência deste edital. O Teatro do Paiol e o Teatro Londrina - no Memorial de Curitiba, desenvolvem diversas atividades como música, dança e encontros artísticos. Os espetáculos de teatro infantil, apresentados nos teatros do Piá e da Maria, neste ano vão se estender também ao Memorial de Curitiba.

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