FUNCART PROTESTA POR VERBA ATRASADA
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quinta-feira, 23 de novembro de 2000
Jackeline Seglin De Londrina 
Pela segunda vez em menos de seis meses, a Fundação Cultura Artística de Londrina (Funcart) precisou usar a forma de protesto para receber os recursos de um convênio firmado com a Secretaria da Cultura. Ontem, cerca de 60 alunos, professores, funcionários e pais de alunos das Escolas Municipais de Dança, Teatro e do Ballet de Londrina estiveram no prédio da Secretaria realizando uma manifestação contra o atraso de três meses no repasse das verbas, que inclui salários de 25 pessoas.
Os manifestantes passaram por várias salas cantando e batendo palmas. Do lado de fora, alunos de dança faziam aula, enquanto atores andavam de pernas de pau e cuspiam fogo. A decoradora Evelyn Scott, mãe de uma aluna da escola de teatro, foi ao protesto e questionou: se as escolas forem fechadas, que Cultura a cidade de Londrina quer manter?. Para ela, as escolas de dança e teatro são instituições públicas municipais que dão condições a crianças e jovens de várias classes sociais de desenvolver a arte. Por isso nada é tão legítimo quanto esse protesto, que é pacífico, organizado e belo. Tanto que parou gente pra ver.
Outras mães, como Cleide Marinho, Lourdes Barbosa e Nina Marinho, estavam indignadas com o descaso da Secretaria da Cultura e da administração municipal. Isso é pouca vergonha. Como é que pessoas dedicadas têm que passar por isso? Esses professores, mesmo sem salário, estão dando aulas para nossos filhos todos os dias, disse Cleide. A gente está sempre junto com eles. Queremos um futuro para nossa cidade e nossos filhos, completou Nina Marinho.
O presidente da Funcart, Luiz Carlos Bruschi, disse que a situação está insustentável. Sem conseguir falar com a secretária Angela Marçal, ele disse que o problema virou um jogo de empurra-empurra dentro da prefeitura. Quem faz o empenho é a Secretaria da Cultura. Isso não está feito. E tem mais: a secretária também tem que ter o empenho pessoal de conseguir a verba do convênio, que é firmado com a Cultura e não com (secretaria da) Fazenda, disparou.
Na ausência da secretária, Bruschi teria conversado com o assessor de gabinete da Secretaria da Cultura, Deuzimar Farias. Ele disse que a administração não autorizou o empenho..., comentou. O assessor relatou à Folha que quem determina a saída de recursos do caixa é a Secretaria da Fazenda, único órgão que tem competência de abrir o caixa e pagar. Ele argumentou que a Secretaria faz o encaminhamento da solicitação de repasse e espera a liberação da dotação para fazer o empenho. Sem essa liberação, nada feito. A secretária Angela Marçal não foi encontrada para falar sobre o assunto. Segundo o assessor, ela estaria em férias.
Depois do protesto, os manifestantes seguiram para a prefeitura no intuito de conversar com o Secretário da Fazenda, Francisco Simões, que recebeu Luiz Carlos Bruschi para uma conversa. Ele nos fez uma proposta de pagamento dos atrasados, contou Bruschi. Eles nos devem três parcelas. O secretário propôs pagar uma parcela e meia no dia 4 de dezembro e a outra parte no dia 15. Ficariam faltando os repasses de novembro e dezembro, que vamos negociar depois, relatou o presidente da Funcart.
Francisco Simões confirmou a proposta. Ele (Bruschi) tentou fechar o pagamento em uma única vez, mas mostrei que não era possível. Estamos fazendo todo o esforço. O pagamento de novembro, na pior das hipóteses, será feito até o final do ano. Já o de dezembro talvez tenha que ser pago pelo outro prefeito, disse Simões, transferindo o compromisso para Nedson Micheleti. O convênio com a Funcart tem validade até 31 de dezembro.


