Pela segunda vez em menos de seis meses, a Fundação Cultura Artística de Londrina (Funcart) precisou usar a forma de protesto para receber os recursos de um convênio firmado com a Secretaria da Cultura. Ontem, cerca de 60 alunos, professores, funcionários e pais de alunos das Escolas Municipais de Dança, Teatro e do Ballet de Londrina estiveram no prédio da Secretaria realizando uma manifestação contra o atraso de três meses no repasse das verbas, que inclui salários de 25 pessoas.
Os manifestantes passaram por várias salas cantando e batendo palmas. Do lado de fora, alunos de dança faziam ‘‘aula’’, enquanto atores andavam de pernas de pau e cuspiam fogo. A decoradora Evelyn Scott, mãe de uma aluna da escola de teatro, foi ao protesto e questionou: ‘‘se as escolas forem fechadas, que Cultura a cidade de Londrina quer manter?’’. Para ela, as escolas de dança e teatro são instituições públicas municipais que dão condições a crianças e jovens de várias classes sociais de desenvolver a arte. ‘‘Por isso nada é tão legítimo quanto esse protesto, que é pacífico, organizado e belo. Tanto que parou gente pra ver’’.
Outras mães, como Cleide Marinho, Lourdes Barbosa e Nina Marinho, estavam ‘‘indignadas com o descaso’’ da Secretaria da Cultura e da administração municipal. ‘‘Isso é pouca vergonha. Como é que pessoas dedicadas têm que passar por isso? Esses professores, mesmo sem salário, estão dando aulas para nossos filhos todos os dias’’, disse Cleide. ‘‘A gente está sempre junto com eles. Queremos um futuro para nossa cidade e nossos filhos’’, completou Nina Marinho.
O presidente da Funcart, Luiz Carlos Bruschi, disse que a situação está insustentável. Sem conseguir falar com a secretária Angela Marçal, ele disse que o problema virou um jogo de empurra-empurra dentro da prefeitura. ‘‘Quem faz o empenho é a Secretaria da Cultura. Isso não está feito. E tem mais: a secretária também tem que ter o empenho pessoal de conseguir a verba do convênio, que é firmado com a Cultura e não com (secretaria da) Fazenda’’, disparou.
Na ausência da secretária, Bruschi teria conversado com o assessor de gabinete da Secretaria da Cultura, Deuzimar Farias. ‘‘Ele disse que a administração não autorizou o empenho...’’, comentou. O assessor relatou à Folha que quem determina a saída de recursos do caixa é a Secretaria da Fazenda, ‘‘único órgão que tem competência de abrir o caixa e pagar’’. Ele argumentou que a Secretaria faz o ‘‘encaminhamento da solicitação de repasse e espera a liberação da dotação para fazer o empenho. Sem essa liberação, nada feito’’. A secretária Angela Marçal não foi encontrada para falar sobre o assunto. Segundo o assessor, ela estaria em férias.
Depois do protesto, os manifestantes seguiram para a prefeitura no intuito de conversar com o Secretário da Fazenda, Francisco Simões, que recebeu Luiz Carlos Bruschi para uma conversa. ‘‘Ele nos fez uma proposta de pagamento dos atrasados’’, contou Bruschi. ‘‘Eles nos devem três parcelas. O secretário propôs pagar uma parcela e meia no dia 4 de dezembro e a outra parte no dia 15. Ficariam faltando os repasses de novembro e dezembro, que vamos negociar depois’’, relatou o presidente da Funcart.
Francisco Simões confirmou a proposta. ‘‘Ele (Bruschi) tentou fechar o pagamento em uma única vez, mas mostrei que não era possível. Estamos fazendo todo o esforço. O pagamento de novembro, na pior das hipóteses, será feito até o final do ano. Já o de dezembro talvez tenha que ser pago pelo outro prefeito’’, disse Simões, transferindo o compromisso para Nedson Micheleti. O convênio com a Funcart tem validade até 31 de dezembro.

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