Funarte quer ampliar incentivo à cultura
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de maio de 1999
Francelino França 
A Fundação Nacional de Arte (Funarte) presente no 1º Salão Internacional do Livro de São Paulo teve um dos maiores e mais visitados estandes do evento. A entidade possui projetos de incentivos à pesquisa, desenvolvimento e difusão de vários segmentos das artes, como teatro, ópera, circo, dança, artes plásticas, MPB, música erudita, cinema, vídeo, folclore e cultura popular. Dentre todas as atividades desenvolvidas, a editora e distribuidora é uma das mais tradicionais da instituição.
Dos mais de 300 títulos produzidos pela editora, o destaque atual é a série História Visual, compreendendo quatro volumes: MPB - A história de um século, O Circo no Brasil, Teatro Brasileiro - Um Panorama do Século XX e Dança no Brasil. Muitas edições da Funarte estão esgotadas devido à grande procura. O tratamento editorial é extremamente caprichado. Vários títulos apresentados foram viabilizados graças à parceria e co-edições na área de literatura com empresas como a Petrobrás, Eletrobrás e Itaú Cultural.
De acordo com Maria Eulália Horta Barbosa, responsável pelo Núcleo de Mercado e Promoções da entidade, e presente no 1º Salão Internacional do Livro de São Paulo, a Funarte tem como objetivo divulgar e fomentar a cultura nacional. Nossos livros têm preço acessível. Cada título possui tiragem de 2 a 4 mil exemplares, sendo que 60% vão para doação a instituições públicas e bibliotecas, afirma Maria Eulália. No evento paulista foram comercializados vídeos, CDs e livros.
A doação de parte da tiragem do material editorial atende a 800 centros de estudos, bibliotecas públicas, universidades e escolas de todo o País. Do ponto de vista de Maria Eulália, a Funarte tem carência de parcerias com outros Estados brasileiros para poder difundir sua produção editorial. Atualmente, ela mantém parcerias com os seguintes Estados: Amazonas, Goiás, Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Pará, Rio Grande do Norte, São Paulo e Distrito Federal. Ela informa que a viabilidade desse número se multiplicar depende das prefeituras apresentarem projetos solicitando uma livraria da Funarte. Uma das prerrogativas para que o projeto seja aprovado é que a prefeitura ofereça espaço para a instalação da livraria. Cada livraria receberá produtos de acordo com o espaço disponível. A Funarte não tem fins lucrativos, e se destaca pela preservação da memória cultural brasileira. A responsável pelo Núcleo de Mercado e Promoções informa ainda que um número reduzido de livrarias também revendem o material editorial da Funarte em sistema de consignação.
Segundo Eulália, a proposta da editora e distribuidora é facilitar o acesso à leitura. Este é o ponto crucial do trabalho da Funarte. Em todo o Brasil, existem apenas 11 livrarias que comercializam o trabalho produzido pela entidade. Fora do País existem lojas em Frankfurt (Alemanha), Nova York e Washington (Estados Unidos).
Exceto as lojas destas praças, os interessados em adquirir os livros editados pela Funarte podem solicitar por telefone ou por carta dirigida ao Núcleo de Mercado e Promoções. A reportagem da Folha questionou a responsável pelo Núcleo sobre um caminho mais abrangente para a distribuição do material editorial produzido pela entidade, com distribuidores nacionais. Existe um problema de pessoal. Temos boa vontade. Não podemos ocupar o mercado como uma editora ou distribuidora convencional porque é uma instituição pública federal. É preciso cumprir as leis e estatutos da casa, justifica Maria Eulália Barbosa. Enquanto não se desvencilham das amarras da burocracia, o lema Funarte em ação, propagado pela entidade, fica deslocado, de certa forma.


