Reprodução‘‘Festa de Família’’: contundente crítica aos valores familiares, é um dos representantes do movimento Dogma 95A Cult Filmes, selo criado no ano passado para lançar em vídeo os filmes da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, coloca no mercado mais três preciosidades. São filmes que fazem parte de uma cinematografia que foge ao estilo de Hollywood, imprimindo uma estética que busca resgatar a verdadeira essência do cinema. O primeiro da lista é o polêmico ‘‘Festa de Família’’, dirigido pelo dinamarquês Thomas Vinterberg.
O filme é um dos representantes do manifesto Dogma 95, que nasceu na Dinamarca e prega uma forma radical de filmar: ou seja, abrir mão de tudo o que é artificial dentro do cinema. Vencedor de 30 prêmios internacionais ‘‘Festa de Família’’ conta a história de uma família que se reúne num hotel para comemorar o aniversário do patriarca.
Porém, naquele mesmo lugar, anos atrás, uma das filhas do aniversariante havia se suicidado, o que faz renascer antigas e amargas lembranças. Num ambiente pesado e à beira do caos, um dos filhos do casal acusa o pai de tê-lo molestado sexualmente quando era criança.
Reprodução‘‘O Silêncio’’: retrato do amor cego, é uma obra singela e aberta a várias leiturasContundente crítica aos valores familiares, o filme causou polêmica em festivais e caiu nas graças da crítica e do público, recebendo prêmios importantes como o Prêmio do Júri no Festival de Cannes, Menção Honrosa na Mostra de São Paulo, indicações ao Globo de Ouro e ao César de Melhor Filme Estrangeiro.
Ganhador do Leão de Ouro no Festival de Veneza de 1997, ‘‘Hana-Bi - Fogos de Artifício’’, dirigido e interpretado pelo chinês Takeshi Kitano, é considerado uma das obras cinematográficas mais importantes do cinema dos anos 90. Saboroso e frio como um bom sushi, o filme oferece uma síntese eletrizante do que o cinema melhor sabe fazer quando se trata da violência e do amor. Kitano interpreta um policial, mas como se fosse um cowboy ou um samurai dos tempos modernos. ‘‘Hana-Bi’’ é uma comédia de humor negro muito elogiado pelos frequentadores do chamado cinema de arte. O filme ganhou também o prêmio da Crítica da Mostra de São Paulo.
A terceira fita do pacote de Cult Filmes vem do Irã: ‘‘O Silêncio’’, dirigido por Mohsen Makhmalbaf, responsável também pelo belíssimo ‘‘Gabbeh’’, é um filme sobre o som. Os sons de uma vila fronteiriça do Tadjiquistão vão sendo captados por um menino cego. Seu universo é desprovido de imagens, mas rico em sons. O diretor realiza uma obra singela e aberta que dá margem a várias leituras. É o retrato do amor cego (literal e simbolicamente) de um menino pela música e pela sonoridade dos mais simples objetos. Um personagem capaz de tudo, até de perder a sua casa, pelo prazer de ouvir um belo acorde. ‘‘O Silêncio’’ participou da seleção oficial do Festival de Veneza/98 e ganhou o prêmio do Senado Italiano. (C.M.)

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