A Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba, abriga, a partir de hoje até o dia 30 uma grande exposição com 250 imagens - fotografias, documentos inéditos pesquisados em vários arquivos nacionais e internacionais e obras originais - que mostram a luta de centenas de famílias em terras brasileiras buscando uma nova vida. Literalmente. A grossa maioria era de judeus fugindo do nazi-fascismo alemão.
Nos terríveis anos que mergulharam a Europa no horror, a máquina que levava ao exílio, permitindo a chegada ao Brasil, funcionou basicamente por três rotas - a mais longa que compreendia Xangai, Hong-Kong até chegar à África do Sul, outra que passava por cidades italianas e a última que incluia o porto de Lisboa.
Refúgio Um livro sobre os expatriados - ‘‘Brasil, um Refúgio nos Trópicos’’ - escrito pela historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro e Dieter Strauss (edição bilíngue), editado pela Estação Liberdade, estará sendo vendido durante o período da exposição. O público interessado em se aprofundar no assunto, terá, além das imagens, 256 páginas de história.
Professora da Universidade de São Paulo, Maria Luiza foi a autora de outro livro que colocou a nu a política anti-semita de Getúlio Vargas, impedindo o ingresso de judeus, que acabaram morrendo em campos de concentração. O trabalho, como era de se esperar, gerou polêmica. Apesar dos discursos contrários, prevaleceu a pesquisa da historiadora.
A procissão de fugitivos espalhou-se pelo País, concentrando-se especialmente na região Sul. A Companhia de Terras Norte do Paraná comercializou entre 1933 e 1938 mais de 300 propriedades para as famílias alemãs, grande parte delas trazendo sob os sobrenomes característicos a ancestralidade judia.
Este é apenas um detalhe retirado do livro, que se insere num trabalho mais abrangente, envolvendo a exposição fotográfica, uma segunda exposição que abre na quinta-feira no hall do Palácio Iguaçu, ‘‘Neuland - País Novo’’, com os currículos de judeus austríacos que emigraram para a Palestina e contribuiram para a construção cultural do Estado de Israel.
Completa o trabalho uma terceira mostra, aberta ontem no Instituto Goethe Curitiba. São 26 painéis foto-documentários sobre Stefann Zweig, o escritor e poeta austríaco que se matou no Brasil, ao lado da mulher Charlote.
q Brasil, um Refúgio nos Trópicos - exposição de fotografias e documentos sobre a chegada de judeus fugindo do nazi-fascismo alemão. Na Biblioteca Pública do Paraná. A partir de hoje até o dia 30.

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