Fronteiras da palavra
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Omar Godoy <br> Equipe da Folha 
Três dias dedicados à literatura e seu diálogo com outras manifestações artísticas. É o que promete a primeira edição do ZOONA, evento que acontece a partir de amanhã em Curitiba. A programação inclui debates, performances, exibições de vídeos, intervenções, leituras, exposições e lançamentos de livros e revistas. E ainda homenagens ao escritores Valêncio Xavier (1933 - 2008) e Wilson Bueno (1949 - 2010).
O Paço da Liberdade vai receber uma mostra audiovisual, com trabalhos de realizadores locais como Eduardo Baggio, Beto Carminatti, Adriano Esturilho e Nivaldo Lopes. O restante das atividades acontece no Museu da Gravura, onde mais de 35 escritores vão ler suas obras, lançar trabalhos e participar de mesas-redondas. Entre eles Luiz Ruffato (SP), Raquel Stolf (SC), Victor Sosa (México) e Luis Serguilha (Portugal).
''Hoje temos bons eventos literários na cidade. Mas são iniciativas pequenas, isoladas. Estava faltando um grande encontro, como o Perhappiness e o Curitiba Literária, que não tiveram continuidade'', diz a poeta e artista visual Joana Corona, uma das curadoras do projeto - realizado pela editora Medusa, com recursos do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura.
Segundo ela, uma das marcas do ZOONA é a promoção de uma ''experiência de trânsito'' entre linguagens. ''Muitos autores curitibanos da nova geração trabalham também com dramaturgia, cinema, música, artes visuais. Nossa ideia é explorar essa interface, mas sempre pensando na relação dessas áreas com a literatura, com a palavra'', explica.
Sobre os homenageados, Joana destaca o caráter inventivo de suas obras. ''O Valêncio inaugurou um modo diferente de construir um livro com imagens. Não era simplesmente colagem. Ele usava a operação do cinema, a montagem. Já o Wilson criou, de maneira elaborada, um idioma que mistura português, espanhol e guarani. Uma língua que existe na prática, mas não no texto escrito''.
Para ela, Xavier, Bueno e outros autores locais - como Paulo Leminski, Jamil Snege, Manoel Carlos Karam, Dalton Trevisan e Josely Vianna - deixaram uma herança valiosa para os mais novos. ''Graças a eles, temos uma liberdade de trabalhar a linguagem, de produzir uma prosa inventiva, inclassificável'', afirma.
Serviço
ZOONA: Encontro Literário de Curitiba
Quando - De amanhã a domingo
Onde - Museu da Gravura (R. Carlos Cavalcanti, 533) e Paço da Liberdade (Pça. Generoso Marques, 189)
Quanto - Entrada franca
Mais informações - www.zoonaencontroliterario.wordpress.com


