Recife - A indústria turística do Nordeste tem um novo concorrente no Brasil: o frio. O brasileiro, que antes aproveitava o sol da região o ano inteiro, começa a explorar destinos onde o grande atrativo é o frio e a gastronomia. ''Precisamos abandonar a dicotomia sol/mar como atração'', reconhece o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) em Pernambuco, José Otávio Meira Lins.
Nos últimos cinco anos, apesar de novos empreendimentos, 17 hotéis fecharam no Recife. ''É preciso fazer a conversão para o turismo cultural e gastronômico''. Ele lembrou que, com a época de chuva no Nordeste, muita gente preferiu fazer turismo no frio e na neve.
Maior operadora do País, a CVC reforçou essa tendência, ao identificar que as promoções de mercado de montanha perto do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte (MG) mobilizaram muitos turistas do Sudeste. A explicação da operadora é a dos encantos naturais do turismo do frio e a proximidade desses locais, reduzindo custos que normalmente são altos nesta época, quando se viaja com a família.
A baixa ocupação dos hotéis no Nordeste neste mês foi anunciada no mês passado pela própria CVC. A operadora enviou um comunicado aos parceiros alertando que julho seria um período de ''baixa boa'' e não de ''alta temporada''. Na carta, a CVC apontava a Copa do Mundo, por atrair as atenções e reduzir o tempo de venda, os roteiros internacionais e o clima chuvoso no Nordeste como ''pontos emblemáticos'' da baixa.

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