Simone Mattos
De Curitiba
Uma advogada, um administrador de empresas, outros profissionais liberais e alguns estudantes compõem o elenco do espetáculo ‘‘Free Play – Um Experimento Cênico’’, uma das estréias confirmadas para a Mostra Paralela do 9º Festival de Teatro de Curitiba, o Fringe. A diretora e autora da montagem, Deise (Dedé) Pacheco, explica que ‘‘eles não são atores, são atuantes’’.
O grupo, formado por nove pessoas com idades entre 16 e 53 anos, apresenta o resultado de um trabalho de pesquisa que vem sendo feito há dois anos por Dedé. O objetivo é desenvolver técnicas que permitam o acesso de qualquer profissional ao palco, sem limitá-lo aos atores.
O trabalho é uma reflexão sobre o sentido da arte e da criação, num constante diálogo entre jogo cênico e vida real. ‘‘Trabalho com questões como: quem pode realizar a arte? Ela é exclusividade de poucos? Ou pode ser muito mais ampla?’’, explica Dedé. O objetivo é explorar ao máximo a expressividade do ser humano, utilizando a criatividade e o improviso, através da linguagem cênica.
‘‘Free Play’’ não é teatro de texto e não poderia ser feito por atores profissionais. Os atuantes são pessoas que participam de um curso regular ministrado por Dedé, onde, a partir de jogos e exercícios simples, elas descobrem e se surpreendem com as suas próprias expressões.
‘‘As pessoas muitas vezes se subjulgam’’, diz ela. No curso, os participantes deixam florescer suas expressões, o que não significa que irão se tornar artistas. Um dos objetivos das aulas é desenvolver a comunicação. ‘‘Mostramos que o improviso está ligado ao cotidiano, seja no palco ou fora dele’’, afirma.
No espetáculo ‘‘Free Play’’, uma espécie de aula aberta será apresentada ao vivo. As platéias serão pequenas, formadas por apenas 24 espectadores de cada vez. Num espaço intimista, o público seguirá o crescente da aula como mero observador.
Dedé explica que o espetáculo não teve problemas para ser aceito no Festival de Teatro de Curitiba, apesar do elenco não ser formado por profissionais de teatro. ‘‘Pelo caráter da proposta, a peça jamais poderia ser encenada por atores’’, justifica. A equipe técnica, em contrapartida, é profissional. Segundo Dedé, esse foi o principal motivo da peça ter sido aceita.
Ela assina a direção e o texto. A preparação vocal é de Daniela Gramani, a assistência de direção é de Cléo Busato e Juliana Jardim, e a iluminação é de Joel Reinhardt e Dedé. ‘‘Os atuantes não recebem nenhuma espécie de pagamento. A encenação para eles é apenas um exercício’’, complementa Dedé.
‘‘Free Play’’ é baseada no livro ‘‘Ser Criativo - O Poder da Improvisação na Arte e na Vida, Uma Abordagem Estética e Filosófica do Processo Criativo’’, de Stephen Nachmanovitch. Para montar o espetáculo, Dedé também se inspirou na americana Viola Spolen, uma das pioneiras no estudo e pesquisa do método.
Deise (Dedé) Pacheco é curitibana, estudou Artes Cênicas em Londres e em São Paulo, onde morou durante nove anos. Já dirigiu dezenas de espetáculos e participou de vários como atriz e assistente de direção. De volta a Curitiba há dois anos, ela ministra cursos sobre a técnica da improvisação no Espaço Arcádia Livraria & Eventos de Arte.
‘‘Free Play – Um Experimento Cênico’’, fará temporada na Mostra Paralela (Fringe) do 9º Festival de Teatro de Curitiba, nos dias 18, 19, 24, 25 e 26, 18h e 24h, no Espaço Arcádia Livraria & Eventos de Arte (Rua 13 de Maio, 777, Centro). O preço dos ingressos é R$ 10,00 e R$ 5,00 (estudantes e classe artística).

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