Curitiba Uma análise rápida na programação do Fringe, mostra paralela do Festival de Teatro de Curitiba (FTC), faz crer que a capital paranaense é um pólo de companhias teatrais no Brasil. Dos 155 espetáculos que se apresentam no Fringe, 52 são de companhias curitibanas. Alguns são de grupos consolidados que desenvolvem um trabalho de pesquisa já algum tempo na cidade. Outros são de companhias amadoras, mas nem por isso inexperientes. Mas uma coisa é certa: nunca se viu tantas companhias na ativa.
O fenômeno sazonal mostra que alguns grupos não estréiam só no Fringe, mas também nos palcos. A mostra, por esse ponto de vista, se torna uma espécie de ''atividade de risco'' do festival. Isso porque são tantos os espetáculos e nenhum o critério de seleção na escolha deles que a oferta acaba sendo muito maior do que a procura. Os grupos disputam a atenção do público e o público, por sua vez, precisa garimpar bem o que vai assistir para não se decepcionar. Por outro lado, nos últimos anos, o Fringe tem sido responsável por boas revelações do teatro nacional.
As peças da mostra paralela vão estar espalhadas em 30 espaços da cidade. Muitas atrações são gratuitas. Este ano, também, o Fringe concentrou os espetáculos de rua. Depois de Curitiba, São Paulo lidera a ''importação'' dos espetáculos. São 34 peças de companhias paulistas. O Rio de Janeiro está em terceiro lugar no ranking, trazendo 16 espetáculos. Também há peças de Brasília, Cuiabá, Salvador, Piauí, Recife e Belo Horizonte, para citar algumas origens.
Os grupos que vêm de fora passam por uma dificuldade que já virou tradição. Eles arcam com passagens, hospedagem, despesas com alimentação e ainda precisam pagar R$ 50,00 por apresentação. ''Eles têm à disposição três funcionários do teatro e toda uma estrutura de divulgação'', exemplifica Vitor Aronis, da Calvin Entretenimento. ''Tem alguns teatros que a locação é muito mais cara do que o preço que cobramos'', lembra Aronis.
Há 12 anos, o Fringe oferece essa estrutura e não pretende mudar. ''Os grupos vêm para o festival sabendo o que o Fringe oferece, não é segredo'', justifica Aronis. Então fica combinado. Este ano, ninguém reclama da falta de apoio às companhias que participam do Fringe. (K.M.P.)

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