Meia centena de peças teatrais em 12 horas ininterruptas, a partir do meio-dia. Esses são os números do primeiro dia do 11º Festival de Teatro de Curitiba, na programação do Fringe (franja), mostra paralela à oficial, que acontece nos mais variados espaços da cidade. Grupos de todo o Brasil passam a disputar o público a partir de hoje. Nessa queda de braço nem sempre os melhores espetáculos estarão na mira dos amantes teatrais: a lista é muito grande. São 156 montagens.
Quem se der ao luxo de pesquisar cada título vai descobrir algumas curiosidades, como o local mais insólito para se assistir a uma peça igualmente insólita: o banheiro masculino do prédio da Reitoria da Universidade Federal do Paraná. Ele não consta na lista de endereços do livreto preparado especialmente para orientar os espectadores. A montagem que será encenada no banheiro tem tudo a ver: chama-se ‘‘Excremancia’’ e é levada pela Cia. de Teatro Fisiológico.
Primeira peça de uma trilogia mostra um escritor às voltas com seu bolo fecal, analisando detalhadamente suas características. Diz o material de divulgação que a Cia. de Teatro Fisiológico ‘‘busca evidenciar atividades fisiológicas com caráter poético, científico e existencial’’. ‘‘Excremancia’’ faz sua estréia neste festival.
Do ladrilho do banheiro para palcos desconhecidos: o Fringe oferece também essa oportunidade. ‘‘Transe’’, com a Ethos Cia. de Teatro, será apresentada no Teatro Octavio Nassur Studio e Dança. Além do elenco, poucos devem saber que o espaço está localizado na Rua Barão de Antonina, 254 (telefone (41) 222-0045), próximo ao Shopping Mueller. ‘‘Morada’’, encenação da Cia. de Teatro Sylvia Que Te Ama Tanto, de Bauru (SP), estará de 22 a 31 na Casa: Rua Castro Alves, 155, bairro da Água Verde. Tem ainda ‘‘O Armário de Brinquedos’’, na To Bee, e ‘‘Lua Crescente em Amsterd㒒, no Teatro Crystal Hall. Endereços respectivos: Rua José Loureiro, 765, fone 334-3940, centro, e piso 1 do subsolo do Shopping Crystal, no Batel.
Tem espetáculo para todos os gostos. ‘‘Ad Aeternvm’’ trabalha com a dança butô, estilo criado no Japão nos anos 60, para mostrar o conflito existencial de dois personagens. ‘‘Desperate Impressions’’, com Anne Westphal, é inédito no Brasil. Apresentado em festivais internacionais é um poema sonoro-visual criado a partir de textos de Jim Morrison. Um grupo baiano traz a comédia ‘‘O Homem que Casou com Um Veado’’. Narra as desavenças na vida de um cidadão que deixa mulher e filhos para viver com um animal. De Joinville chega ‘‘O Defunto’’, drama que mostra a dor de duas mulheres lamentando a morte do mesmo homem – amante de uma, esposo de outra.
Entre os cartazes curitibanos estão ‘‘Apocalipse – Porque o Mundo Não Acabou’’, de João Luiz Fiani. Comédia, naturalmente. ‘‘Devorateme’’, que levou dois troféus Gralha Azul na última edição; ‘‘Um Ponto Vermelho no Verde e Uma Cereja no Vila Belmiro’’, com texto e direção de Lucianna Raitani; ‘‘Lágrimas Puras em Olhos Pornográficos’’, com texto e direção de Edson Bueno; ‘‘Improviso’’, com o ginasta e bailarino Pablo Colbert; ‘‘O Tempo Passa Igual’’, com a atriz Pagu; ‘‘Um Rato em Família’’, montagem nonsense que revelou o autor e diretor Edson Bueno (e uma porção de atores).

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