Fringe ganha força no FTC
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sexta-feira, 29 de março de 2002
Zeca Corrêa Leite Equipe da Folha 
Curitiba - A 11ª edição do Festival de Teatro de Curitiba encerra amanhã com um dado inédito o Fringe, que é uma mostra paralela e até o ano passado sofria com o desinteresse do público, superou a mostra oficial em número de espectadores. O balanço divulgado ontem por Victor Aronis, diretor do evento, deu conta que a mostra contemporânea atraiu 30 mil pessoas. Passaram pelo Fringe, 45 mil. Porém, na raia paralela esses 45 mil distribuiram-se entre 133 peças, enquanto na oficial foram 18, aliás, número inferior às realizações anteriores.
O Fringe está completando quatro anos, e com este resultado começa a ter delineado um melhor tempo para ele. Até 2001 vários cartazes foram cancelados por falta de público, o que não aconteceu neste ano, segundo Aronis. Ou seja, a platéia está se dirigindo também para a franja. Algumas montagens superaram as expectativas, transformando-se em sucesso, como no caso de Hysteria e Os Camaradas.
Curitiba teve um leque nestes dez dias de 153 títulos, com sesões extras de Linguiça no Campo, Norma e Um Bonde Chamado Desejo. Ainda na questão de números, das 12 oficinas as mais procuradas foram aquelas ligadas no trabalho com a comunidade, sendo que aquelas voltadas à área pedagógica tiveram maior número de inscritos. As peças presentes no 11º FTC representaram os Estados de São Paulo, Pernambuco, Bahia, Santa Catarina, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Espírito Santo, além do Paraná; dos países visinhos da Argentina e Uruguai e da cidade de Los Angeles,
Para Victor Aronis o FTC está no formato ideal, a grade das montagens esteve equilibrada e, pelo que deu a entender, o festival é um evento que chegou à maturidade. Ou, então, encontrou o seu equilíbrio. Do primeiro ao quarto ano não houve estréias; do quinto até o nono os organizadores preocuparam-se excessivamente em trazer os inéditos para estrearem aqui, mas em 2001 e 2002 chegou-se ao meio termo. Aronis sublinhou que na abertura oficial continua sendo muito importante apresentar um trabalho inédito.
Dessa forma, não há grandes mudanças à vista. Entretanto, Aronis voltou a afirmar que o Fringe tem condições de crescer ainda mais. Inspirada no Festival de Edimburgo (Escócia), a versão curitibana ainda é tímida se comparada ao original. O encontro escocês leva centenas de grupos para a cidade só o catálogo de apresentações parece uma lista telefônica.
O diretor do FTC observou que agora a mostra paralela está mais bem estruturada; o festival está administrando melhor essa área. Funcionando como uma vitrine, é aqui que os grupos conseguem maior visibilidade e possíveis convites para apresentações em outros locais. Ele citou Martins que Pena, da Bahia, que está em negociação com o Teatro Bom Jesus. O pessoal de A Balada do Lado sem Luz assegurou que a maior receptividade com a peça aconteceu em Curitiba. Hoje tem sua última apresentação, às 21 horas, no Teatro Rodrigo de Oliveira.
O 11º Festival de Teatro de Curitiba foi orçado em R$ 1,5 milhão. Desse volume, 80% foram gastos em Curitiba e os 20% restantes destinados aos pagamentos de cachês e com convidados vindos de outros lugares. Dos 194 jornalistas credenciados, 60 são de outros Estados. A movimentação teatral favorece o comércio local. De acordo com a Secretaria Municipal de Turismo, durante este período movimenta-se em torno de R$ 13 milhões.


