DivulgaçãoJamiroquai: a grande estrela do Free Jazz 97O Free Jazz é um festival corrompido. Mas quem se importa quando três mil ingressos postos à venda para um único show esgotam-se em apenas três dias?
Foi o que ocorreu com o show do grupo inglês Jamiroquai, uma das principais atrações do evento que começa amanhã e termina no domingo simultaneamente em São Paulo e no Rio de Janeiro e prossegue em versão reduzida nos dias 13 e 14 em Porto Alegre.
Jamiroquai puxa a caravana pop do festival, cujo gênero musical inspirador conta apenas com gatos pingados no elenco desta 12ª edição. O jazz jaz, parecem querer dizer os organizadores. Ao todo, serão 20 atrações internacionais e seis nacionais se revezando em três palcos de São Paulo - montados nas casas noturnas Palace e Bourbon Street Club - e um do Rio - instalado no Museu de Arte Moderna. Em Porto Alegre, os shows acontecem no Teatro do Sesi.
DivulgaçãoLee Konitz: um dos mestres do cool jazz
Blues Na TV, o canal pago Multishow prepara uma cobertura especial da maratona musical com transmissões ao vivo comandadas por Zeca Camargo. Dentro do cast jazzístico do festival destacam-se os saxofonistas Pharoah Sanders e Lee Konitz, o trompetista Art Farmer e a cantora Dee Bridgewater. O primeiro da lista tocou no grupo de John Coltrane entre 65 e 67, no auge do free jazz.
Hoje, aos 57 anos, é visto como um sacerdote da corrente embora apresente trabalhos orientados mais para a world music. Lee Konitz é da mesma geração de Miles Davis e Gerry Mulligan com os quais divide a reputação de mestre do cool jazz. Farmer, por sua vez, despontou no hardbop. Toca um instrumento chamado flumpet, que ele mandou fabricar a partir da mistura do trompete e do flugelhorn. Dee Bridgewater, por fim, chega ao Brasil para prestar um tributo a Ella Fitzgerald, tida por ela como a maior cantora americana de todos os tempos e da qual aliás é considerada pelos críticos como uma legítima herdeira.
Pop O blues também apresenta nomes de peso na programação. O primeiro deles é o guitarrista texano Jimmie Vaughan, irmão mais velho do legendário Steve Ray Vaughan (morto em acidente de helicóptero em 1990) e que fez parte da não menos memorável banda The Fabulous Thunderbirds. A outra estrela é Otis Rush, saudado como um dos maiores expoentes vivos do gênero.
DivulgaçãoDee Bridgewater: legítima herdeira de Ella Fitzgerald
A qualidade se mantém na escalação das vozes femininas, cuja diversidade de estilos deverá propiciar um verdadeiro curso intensivo para as cantoras locais. Além da já citada Dee Bridgewater, se sobressaem a belga Natasha Atlas e a norte-americana Erykah Badu. Atlas, que possui ascendência árabe-judaica, filia-se à música étnica combinando composições tunisianas e instrumentos egípcios e macedônicos. Badu, por sua vez, foi comparada a Billie Holliday pelo jornal The New York Times. A cantora sueca Neneh Cherry é outro destaque. Funde R&B e hip hop e cai como uma luva no acento marcadamente pop do festival.
Drum & Bass Dos nomes elencados nesse território, aliás, só Jamiroquai a supera em termos de execução na MTV. Na condição de chamariz do festival, o show de Jamiroquai congestionou os pontos de venda de ingressos, que sumiram em apenas três dias. O grupo estourou em 92 com o impagável hit ‘‘When You Gonna Learn?’. No mês passado, faturou quatro prêmios - incluindo o de videoclipe do ano - na festa de entrega do MTV Video Music Awards.
É liderado pelo vocalista Jason Kay, que tem voz parecida com a de Stevie Wonder e só se apresenta em clipes e shows com um chapelão de pelúcia. Com letras engajadas que abordam questões ecológicas, violência urbana e a demarcação de terras indígenas, Jamiroquai mescla funk, soul, disco music, hip hop e drum & bass. O drum & bass é a praia habitada pelo DJ britânico Goldie, outro astro pop escalado para o evento.
Filmes O estilo sombrio, de batidas quebradas, explodiu nas pistas londrinas há cerca de cinco anos com o nome jungle. Rebatizado, contaminou artistas de renome como David Bowie, Bjork e Everything But the Girl que introduziram os teclados bucólicos e a bateria sem freios em seus recentes trabalhos. Para se ter uma idéia do deslumbramento em torno do rapaz, Goldie já foi chamado de ‘‘Jimi Hendrix do jungle’’ pela revista Melody Maker.
De linhagem mais roqueira, o cantor Elvis Costello comparece na programação como ‘‘convidado especial’’ da Mingus Big Band, a orquestra nova-iorquina que leva o nome e o repertório do revolucionário contrabaixista de jazz Charles Mingus. Costello tocará quatro músicas - duas delas com letras que escreveu para melodias compostas por Mingus. Os ingressos para o festival custam entre R$ 25,00 e R$ 60,00 no Rio e de R$ 25,00 a R$ 100,00 em São Paulo.
Na TV Paralelamente aos shows, a programação inclui uma mostra de filmes intitulada ‘‘World of Jazz’’, a cargo do curador Noah Cowen. O painel abrange 12 longa-metragens, que serão projetados no MIS de São Paulo e no MAM do Rio. O MIS abriga ainda exposições de instrumentos musicais e de fotos de festivais de jazz.
Na TV, o Multishow começa as transmissões nesta quinta-feira às 21h30 com um making of do festival prosseguindo com os shows ao vivo.

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